Ter um tema mesmo eu num tenho não. Muito menos inspiração.E o pior: não faço idéia se nossos fiéis leitores continuam fiéis mesmo, mas estou devendo um texto aqui faz é tempo. Pelo menos Helton e Ricardo vão ler (creio eu). Então vamos lá.
Estou no Camaragibe/Príncipe, me deslocando para o centro da cidade. Sobe uma figura esquisita: com terno mal alinhado, um bigodão e uma cara de ex-presidiário. O sujeito começa a berrar e logo da pra saber que se trata de um crente, desses que arretam a paciência da gente dentro no ônibus. Penso comigo: Puta que pariu! Além de acordar cedo, pegar um ônibus lotado e desconfortável, a gente ainda tem que escutar esses caras pentelhando. Penso em mandar o dito cujo calar a boca, ou da-lhe uma porrada pra ver se resolve. Paro, respiro fundo, conto até dez, busco uma paciência interna que aprendi a desenvolver nos tempos de movimento estudantil. Pronto. Já esqueci do cara, que vá pros diabos que o carregue.
Na volta, sobe outra figura no ônibus. Já começo a ficar puto, dessa vez eu vou partir pra porrada mesmo. Não vai ter boquinha não. Eis que o cara começa a falar e vou me acalmando, não era crente pentelho. Era Sales, um sujeito baixinho, feio e barrigudo, como ele mesmo disse. Pra piorar é gago. Mas disse que seu problema é psicológico, que só gagueja em duas situações: quando está nervoso ou quando encontra outro gago.
Aí eu não me contive e comecei rir, eu só não, metade do CDU/Várzea também caiu na gargalhada. Suspeito que ele queria justamente isso pra ser escutado. Sales faz um trabalho louvável: ajuda crianças com aids. Arrecada doações nos coletivos e convida as pessoas para visitarem o abrigo. A satisfação dele está estampada no sorriso. Aos poucos o mal humor das pessoas vai perdendo resistência perante aquele homem baixinho, feio, gago e barrigudo. De repente, ele parece um gigante, muitas pessoas escutam com atenção o que ele diz. Finalmente, passa um lenço e pede pras pessoas colocaram algumas pratas. Não dou dinheiro, vivo sempre liso pra cacete. Mas anoto o nome do abrigo e prometo fazer uma visita a essas crianças. Depois digo a vocês como foi.
*Sem revisão.
Hoje ao adentrar o ônibus Vila dois Carneiros no bairro de Tejipió, depois de ler algumas páginas do livro Contos Peregrinos do mestre Garcia Márquez, deparei-me com uma sombra exatamente sobre a página 55. Era um garoto de uns 13 ou 14 anos que, como diz minha avó, vinha amorcegando o coletivo. De inicio fiquei impressionado com a coragem do maloqueiro, que estava não do lado da calçada, mas do lado oposto e a esta altura estávamos em Afogados, onde a avenida fica bem mais estreita, uma verdadeira loucura executava o rapazinho. Mas o fato que mais me chamou atenção foi que o menino trazia em uma das mãos uma sacola de uma das operadoras de telefonia móvel que trabalha em nosso estado, a TIM. Neste momento, lembrei de meu amigo Helton, que se utilizando da minha condição de estudante regularmente matriculado, realizou empréstimos de alguns livros em meu nome, e hoje, seria o dia da devolução das obras, de súbito saquei do bolso meu celular para lembrá-lo de renovar o empréstimo e tentei uma, duas, três... Meus amigos! Foram nove tentativas sem êxito algum. Isto me fez cair em si, de que sou cliente da operadora OI a cerca de seis, setes anos acho, e vira e mexe tenho problemas para operacionalizar a função básica de todo telefone, realizar chamadas.
Umas três paradas depois o maloqueiro desceu do coletivo, mas a indignação só aumentava dentro de mim. Com a portabilidade, existe a possibilidade de você transferir seu número pra uma outra operadora, sem custos adicionais, mas existem diferenças entre elas, desde um melhor atendimento, cobertura, até a questão das tarifas e promoções oferecidas. Foi realizada uma pesquisa, que mostrou que cerca de 82 a 83% dos celulares no Brasil, funcionam no regime Pré-pago, ou seja, não seria justamente eu que iria me situar na situação dos 18% restantes. Desde que adquiri o primeiro celular sou cliente Pré, tanto por questões financeiras, como por uma questão de controle dos gastos, já que na teoria, você reservaria uma quantidade “x” de créditos, que atenderia suas necessidades no decorrer do mês. Quanto ao valor da recarga é justamente aí que reside o dilema: como a abandonar a operadora OI, que por se destinar ao público da classe baixa - ao contrário da TIM por exemplo - oferece os créditos mais baratos do mercado? Toda essa questão hameletiana: o desejo enorme de abandonar a OI, e a conveniência do preço dos créditos. Acompanhava-me pelas ondas da insatisfação.
Mas eis que algo finalmente me livrou destas reflexões. Uma senhora com uns peitos enormes tentava passar por entre mochilas escolares e umas 10 pessoas, no corredor do coletivo. Por já estar próximo ao centro da cidade, sobravam algumas cadeiras vazias, mas ela sentou justamente ao meu lado. Depois de reclamar do calor, mostrou-me um bilhete de metrô que havia achado, e me perguntou se aquilo possuía algum valor, pedia-me também ajuda para a inserção de novos créditos em seu celular:
“é que eu sabia colocar os crédito no outro, que era da CRARO, mas mudei pra OI, porque é mais melhor e mais barato”. De pronto respirei fundo para não lhe atacar o pescoço, contei até dez disse o caminho que ela deveria realizar para que os créditos fossem inseridos, em seguida falei que o bilhete, que ela havia achado, não tinha nenhum valor, mas lembrei dos vendedores de jujubas da integração e disse, que ela podia trocar o bilhete pela guloseima na estação. A senhora sorriu e me respondeu: “ah! intão tá certo, quando chegar na INTREGAÇÃO eu troco, brigado viu meu fio! Qual o seu nome?...”
Rico Santana.
Nota de Esclarecimento.
Caros companheiros escrevinhadores e leitores. Venho em nome do Pássaro Bege, informá-los que o mesmo encontra-se de férias por tempo indeterminado, para reforçar seu arcabouço alucinógeno na ilha da imortalidade, junto aos grandes mestres da sapiência escrevinhadora. Eu Rico Santana fui incumbido de substituí-lo neste curto período e gostaria de ressaltar a honra, que me toma o peito por contribuir com este projeto inovador, sagaz e atemporal chamado FOI HOJE.
Recife 21 de Março de 2009
Bonito, charmoso, passos delicados e sempre firmes. O gato. Chega despreocupado, impertinente quando quer comida, insistente quando quer atenção. Se estiver com fome mia sem parar até que seu “dono” se canse e pare o que está fazendo para lhe alimentar. Tarde da noite quando estou fumando no portão da frente ele chega. Aproveita o portão aberto para passar sem precisar pular o muro; isso mesmo, ele é comodista. O cachorro da casa vizinha começa a latir raivosamente, ele e Marquinhos são inimigos mortais. Marquinhos, sossegado como sempre, senta na calçada do cachorrão, sabe que o outro está preso e não pode passar o portão. Coça o pescoço, olha a rua, e quando escuta um som atípico ou atraente levanta as orelhas e colocando a cauda em cima das patas dianteiras ergue o peito e a cabeça pra espiar. Enquanto isso o cachorrão, quase sem voz de tanto latir, não suporta ver Marquinhos em sua calçada. E Marquinhos nem aí. Quando avista uma caça, lagartixa ou um pequeno rato, ele a encurrala e não a mata logo. Divertisse com a vítima; maltrata, brinca com a sua dor. O felino deixa o pobre alvo sem saída e este sente o coração acelerar e de longe dá pra perceber a respiração pesada e rápida que o desespero provoca, principalmente nas lagartixas. Firme e forte fala para a presa “diverti-me ou devoro-te” pura maldade, pois não devora as vítimas; mas também não as deixa viver. Marquinhos, dono da situação, percebendo que o moribundo vai parar de respirar da-lhe o golpe mortal; quer aproveitar a chance de abafar o ultimo suspiro antes de perder este prazer para o desgaste do corpo ferido. Estraçalha o corpo e o abandona no canto do muro. Acho que se o cachorro aqui da frente pegasse Marquinhos dentro do seu território não faria esse jogo. Estraçalharia o maldito gato no momento do ataque e pronto! Saciaria seu instinto sem muitos detalhes. O gato, não. Os gatos são malvados. Os gatos são charmosos. O gato. Você conhece alguém parecido com Marquinhos, leitor?
Castanha 20 / 02 / 2009
Preciso tirar a carteira de motorista. Na verdade eu não preciso tirar nem sou obrigado. Ninguém é obrigado a nada. Talvez?! Será? Mas eu quero tirar a carteira de motorista e pronto! Para isso tenho que, entre outras coisas, ser aprovado num exame psicológico. Cheguei à clínica às nove da manhã e só consegui sair de lá às três da tarde. A clínica não parecia uma clínica, parecia uma casa velha semi-abandonada. Isso porque era uma casa velha semi-abandonada. Será o DETRAN acredita mesmo que qualquer coisa no universo pode ser avaliada num lugar daquele? Estas são questões que nós nunca vamos entender.
A psicóloga passou um primeiro exame. Tínhamos cada um uma folha, éramos quatro, onde aparecia um primeiro modelo de teste; tive uma dúvida; seria melhor não ter tido. A psicóloga esclareceu minha dúvida quase aos gritos me intimando e perguntando se eu me sentia preparado psicologicamente para fazer o teste. Minutos antes ela tinha nos alertado para não fazermos o teste se estivéssemos nervosos; "como é que eu fico calmo com ela me esclarecendo aos gritos”, pensei. Num segundo momento novo teste, novo erro, nova chamada, mas eu não podia responder nada senão ela me achava nervoso e me mandava pra casa “quê que você fez meu filho, não escutou o que eu disse? Assim não! Assim ta errado!”, e eu me sentindo um imbecil por ser chamado atenção num exame tão estúpido.
Por ultimo uma entrevista individual e ela me entrega seis folhas de papel mandando assinar o nome, mas, aponta só pra uma, eu com medo de errar novamente assino só na primeira. Quando volta pra sala fala logo “meu filho e pra assinar todas as folhas” ainda pensei em falar “achei que bastava uma assinatura e a senhora ia grampear as outras folhas” ou “a senhora só apontou pra essa, então...”, mas foi melhor ter me calado.
Ao final do teste eu perguntei e ela respondeu: “é um bom teste”; não entendi se ela queria dizer que: O modelo de teste que ela aplica é bom ou se eu tinha feito um bom teste, isso vira uma novo mal entendido. Ela não me entende e responde o que não perguntei. Insisto na pergunta e ela insiste em responder outra coisa, esse detalhe vira uma complicação tremenda; fujo da complicação fazendo de conta que entendi o que ela disse.
Teve uma coisa que eu entendi direitinho e que me deixou apavorado. A partir de uns riscos que eu fiz no papel em forma de circulo e ziguezague ela percebeu traços da minha personalidade: tímido, ansioso etc. Ela podia ter falado coisas que eu não sou, mas falou justamente o que eu sinto só olhando aqueles malditos riscos. O que será que ela não ia ver se me mandasse riscar quadrados, triângulos, retângulos e todo o resto?
Semana que vem eu tenho que buscar os resultados. Com tanta melada, e o auxílio dos riscos, qual você acha que será o resultado leitor?
Castanha, 14 / 02 / 2009
Porra! Acabei de acordar! E ainda são três da madruga. Uns conhecidos da vizinhança inventaram de beber aqui na frente, e como uma boa farra exige musica alta eles acharam que seria bom ligar o som no volume máximo enquanto esvaziavam as garrafas, já eu não gostei muito da idéia e acho que não preciso explicar por que. Eu gosto muito de passar as noites de sexta na rua fazendo o mesmo que eles, bebendo e batendo papo, mas justamente hoje que eu resolvi dormir, topei com esses sujeitos. Levantei da cama botei a camisa e fui tomar “satisfações”, apesar de saber que com os conhecidos a gente não necessariamente toma “satisfações”, ta mais pra falar com “jeitinho”, e eles sabem tanto disso que quando perceberam que eu me aproximava com o protesto estampado no rosto um dos camaradas me abordou, falando e tentando agradar: “Meu chapa como é que ta essa vida? Veio pra tomar uma dose com a gente?”, como se fosse à coisa mais normal do mundo sair de casa a três da madruga com a cara ensebada de sono pra falar da vida e tomar uma dose com o pessoal que acabou de acordar metade da vizinhança. Pedi pra diminuir o barulho e eles foram atenciosos com o meu pedido, mas acho que não serviu muito, pelo menos não para o resto da vizinhança, porque o que o cara fez foi virar os caixas de música para a direção oposta a da minha casa e baixar um pouco o som, mas não o suficiente, pois, eu continuei a escutar o som na sala lá de casa, bem mais baixo é verdade. De todo jeito não importa, pois, as três da madruga a gente não tem obrigação de ouvir o barulho de seu ninguém! E tem mais, como será que ficou a casa do sujeito que era o novo alvo do barulho dos farristas? Resultado: entre o fim do meu sono, a cara de pau do sujeito me chamando pra beber, a admirável solução que ele arrumou pra parar de me incomodar - virando os caixas de som e a falta de educação para o lado oposto ao meu - ficam as palavrinhas martelando na cabeça: bando de folgados.
Castanha 20/12/2008

Final de ano é sempre igual. Geralmente, fazemos uma retrospectiva, avaliamos os acontecimentos e listamos uma série de coisas a serem feitas no ano seguinte. Raros são os que conseguem cumprir à risca tudo que queriam.
Eu, graças a minha organização singular e aos constantes atrasos, sempre vou deixando algumas coisas para depois e, para o bem ou para o mal, nunca consigo executar o que foi planejado dentro do tempo previsto.
Lembro que, no réveillon passado, havia dito que iria parar com isso e começar a fazer tal coisa, me alimentar de um quilo mais daquilo etc. Recomendaram-me caminhar e parar de fumar, para não sobrecarregar o coração. Afinal de contas, não é qualquer coração que agüenta ser fumante, sedentário, comunista e torcer pelo glorioso Santinha: haja fôlego!
Uma amiga, Betina, me falou que vai casar no ano que vem. Adalberto, seu noivo, pretende concluir o curso de administração, vai receber uma promoção na empresa, ganhar um salário mais gordo e, finalmente, poder casar. Mas Betina, apesar de ser assim como vocês e sempre repetir a mesma coisa no final de cada ano, jura que dessa vez é para valer. Deu o ultimato a Adalberto, lembrou que ano que vem completam quinze anos de noivado e que não aceitaria esperar mais. Disse também que está virando motivo de chacotas na família.
Irei mantê-los informados sobre os acontecimentos na vida de nossa querida Betina. Mas e vocês, queridos leitores (eram oito, a maioria de mulheres....quantos são agora?), o que pretendem fazer no ano que vem?