No Psicólogo

7.3.09 Foi Hoje! 0 Comentarios


Preciso tirar a carteira de motorista. Na verdade eu não preciso tirar nem sou obrigado. Ninguém é obrigado a nada. Talvez?! Será? Mas eu quero tirar a carteira de motorista e pronto! Para isso tenho que, entre outras coisas, ser aprovado num exame psicológico. Cheguei à clínica às nove da manhã e só consegui sair de lá às três da tarde. A clínica não parecia uma clínica, parecia uma casa velha semi-abandonada. Isso porque era uma casa velha semi-abandonada. Será o DETRAN acredita mesmo que qualquer coisa no universo pode ser avaliada num lugar daquele? Estas são questões que nós nunca vamos entender.
A psicóloga passou um primeiro exame. Tínhamos cada um uma folha, éramos quatro, onde aparecia um primeiro modelo de teste; tive uma dúvida; seria melhor não ter tido. A psicóloga esclareceu minha dúvida quase aos gritos me intimando e perguntando se eu me sentia preparado psicologicamente para fazer o teste. Minutos antes ela tinha nos alertado para não fazermos o teste se estivéssemos nervosos; "como é que eu fico calmo com ela me esclarecendo aos gritos”, pensei. Num segundo momento novo teste, novo erro, nova chamada, mas eu não podia responder nada senão ela me achava nervoso e me mandava pra casa “quê que você fez meu filho, não escutou o que eu disse? Assim não! Assim ta errado!”, e eu me sentindo um imbecil por ser chamado atenção num exame tão estúpido.
Por ultimo uma entrevista individual e ela me entrega seis folhas de papel mandando assinar o nome, mas, aponta só pra uma, eu com medo de errar novamente assino só na primeira. Quando volta pra sala fala logo “meu filho e pra assinar todas as folhas” ainda pensei em falar “achei que bastava uma assinatura e a senhora ia grampear as outras folhas” ou “a senhora só apontou pra essa, então...”, mas foi melhor ter me calado.
Ao final do teste eu perguntei e ela respondeu: “é um bom teste”; não entendi se ela queria dizer que: O modelo de teste que ela aplica é bom ou se eu tinha feito um bom teste, isso vira uma novo mal entendido. Ela não me entende e responde o que não perguntei. Insisto na pergunta e ela insiste em responder outra coisa, esse detalhe vira uma complicação tremenda; fujo da complicação fazendo de conta que entendi o que ela disse.
Teve uma coisa que eu entendi direitinho e que me deixou apavorado. A partir de uns riscos que eu fiz no papel em forma de circulo e ziguezague ela percebeu traços da minha personalidade: tímido, ansioso etc. Ela podia ter falado coisas que eu não sou, mas falou justamente o que eu sinto só olhando aqueles malditos riscos. O que será que ela não ia ver se me mandasse riscar quadrados, triângulos, retângulos e todo o resto?
Semana que vem eu tenho que buscar os resultados. Com tanta melada, e o auxílio dos riscos, qual você acha que será o resultado leitor?

Castanha, 14 / 02 / 2009

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