Se não fossem os caprichos femininos de toda a sorte, as veleidades de última hora, as vaidades para os ouvidos, os anseios sempre ávidos de afagos... O sexo seria tão risível quanto à idéia de progresso no amor.
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Depois da tempestade vem a lama.
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Quando se vive sem dinheiro constantemente, no meu caso, nosso olhar aprendeu rapidamente a se direcionar primeiramente para o lado direito dos cardápios, pois, é neste lado que se encontra os preços. Isso gera em nós uma topofilia e topofobia do paladar. A espacialidade nunca nos deixou tão constrangidos.
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Quem não tem cão caça com a mão.
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Rousseau revirado
A sociedade nasce boa, o homem é que a corrompe...
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Quando nada mais dá certo, relativizamos.
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Dizem que uma cidade tem os odores de sua população, está explicado então os do Recife.
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Todo o pernambucano já nasce com um revolver na cintura.
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As vezes as mulheres conseguem ser mais chatas que um paulista.
A psicanálise é o genuflexório da burguesia.
Por: Cabotino.
Fosse como fosse, a história se repetiria. Uma sina numa vida - tem os que chamam de destino. Mas a verdade é que o enredo de um indivíduo deslocado, não encaixado, incongruente, não é raro. Em algumas divagações, por vezes, chego até a pensar que todos se sentem assim e que aquela aparente sintonia de grupo é mera dramatização, esforço inútil para fazer parte. De qualquer forma, as lamúrias e lamentações são ridículas - jamais incomodar alguém com um problema tão mesquinho, tão ordinário, tão trivial, tão egoísta. O melhor é ficar por ali, nas adjacências, observando em perspectiva tudo aquilo que acontece. Por que, por outro lado, isto não é de todo ruim: enxergando quem não somos podemos chegar mais próximos de quem somos. Isto, de imediato; com mais tempo, ver-se-á toda aquela encenação como coisa débil e infrutífera - conveniente não os ter por perto. E, no final das contas, o que espanta não é estar só, mas a conclusão:
- É melhor ser assim.
Tudo isso para, logo depois, e com ânsia, encontrar os velhos amigos barbudos, bêbados, boêmios por gosto e por necessidade, e falar-lhes sobre um grupo de pessoas, nossa!, chatas, falsas, mal humoradas, bestas, e tal e cousa e lousa e maripousa... Porque, se o que foi dito até agora não teve o êxito de ser claro, é bom que se diga com todas as letras: estrangeiro são os outros, ora pois!
Tudo murcha, companheiro!
É assim com os seios e com o saco escrotal. Para você isso é
normal? Pois para mim não, seu Venceslau!
A gramática anda de brincadeira
comigo, sempre dando de umbigo, sempre achando-se gramatical. O que há de
errado com a ênclise que o não, não
possa resolver!? Não venha-me com churumelas,
ou seria, não me venha! Isso mesmo, o correto é: não me venha com churumelas.
Olha o não, ali e acolá, chamando a partícula formalista e formal!
Abjeto direto ou indireto?! Direto, "muy" direto esse abjeto, redundante
(mente), sujo (a) de tão correto (a).
Ainda me resta uma questão, lá em riba, na terceira linha
desse texto, achando-se ficaria se achando?! Perguntarei aos gregos, por que os
troianos se ocupam-se de outras demandas. Porra! Está errado de novo! Os
troianos se ocuparam duas vezes do jeito que eu acima, a frase, formulei-me.
Me ouça-me com atenção e não percam o foco do mote metódico
e elaborado.
No mundo das letras e dos sinais, parece que tudo está
trocado, é uma tremenda confusão! Ninguém comunica, não!?
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Dia desses pisei na grama do “Garden”, tropecei nas “Flowers
in the Summer” na internet e parei num site de literatura cheio de acessos,
vixe! Que excesso!!!
Tudo murcha, companheiro! Tudo murcha! Em tempos de pouca
curadoria, e de muita informação.
Por. Pássaro Bege.

Todos os dias eu tenho medo, meu amor. Medo que você deixe de gostar de mim; ou o inverso. Medo que você ponha um ponto final na nossa história; ou o contrário. Eu te amo, acredite, também todos os dias, da melhor maneira que posso. Mas as vezes eu sinto um grande medo. Se é certo que o inverso do amor é o medo, então vivemos constantemente espremidos entre o ato amar e o de sentir medo. Nunca um dos sentimentos vence - estaremos sempre com vontade de felicidade, mas receando um forte baque. O ideal era que o amor fosse eterno. Aí, meu deus, iríamos deitar e rolar, tranquilos, na grama da vida - relaxaríamos mais ainda na intimidade e negaríamos alguns perdões fúteis. Mas isto faz parte de um mito, meu amor, o mito do amor perfeito. Na realidade, sabemos, mas tememos acreditar: o amor acaba, como nos alertou Paulo Mendes Campos, que há pouco completou 90 anos de idade. Contudo, será que ele, o amor, está necessariamente fadado ao fracasso, tem sempre que acabar? - as dúvidas não cessam: são sempre rostos de Gauguin, desconfiados, estampados na parede. Se é tão certo, tão provável - nossa!, é o que todos dizem, mal amados ou não - que uma coisa tão boa acabe, talvez nossa angústia seja pelo quando. Desejamos saber quando vai acabar. Assim, não seríamos pegos de surpresa, nos prepararíamos para a queda, para a enorme queda - e, consequentemente, não nos machucaríamos tanto. Mas isso são apenas divagações de um notívago, meu amor, que não ajudam em nada - apenas nos atormentam. Eis a verdade: o fim, melhor não pensar nele.
Não mais vejo o que de fato é
Por um instante me descuido, e tudo já mudou
Vivo no absurdo
No submundo de um mundo qualquer
Sou estrela que não reluz
Sou alvo de uma mira cega
Estilhaço de sentidos banais
Em cartaz
Na lista dos mais cotados
Sou uma sombra no escuro
Um trem para as nuvens
Suspenso numa noite vazia
Esperando por esperar
Só! Acompanhado.
Yuri tem 39 anos, é natural de Sertânia, Pernambuco. Veio para Recife cedo, aos seis anos, para aprender a desenhar as primeiras letras - na sua cidade natal não encontrou mestre capaz de lidar com suas limitações: Yuri nasceu com pouquíssimo ou nada de audição e, por consequência, também é mudo.
Cresceu aqui com uma tia materna. Aos 20 anos conseguiu trabalho burocrático numa empresa pública, saiu de casa - se emancipou.
Aos 23 conheceu Virgínia, recifense, de mesma idade. Não tardou muito, foram morar juntos. Oficializaram o enlace em instituição religiosa e civil, como mandava o figurino e o conservadorismo das família arcaicas.
Viveram, como se diz, a montanha russa de altos e baixos da felicidade durante 14 anos - até quando Yuri foi acusado de, usemos linguagem técnica, improbidade administrativa onde trabalhava. Yuri pecou por imprudência e ingenuidade - assinava sem a menor criticidade qualquer coisa que lhe colocassem sobre a mesa.
Depois de um ano de peleja judicial, foi condenado a quatro de prisão. Nos primeiros meses sofreu um pouco, mas acabou se habituando à rotina do presídio. O que faz com que Yuri fuja ao dia a dia maçante do cárcere são as visitas de uma hora, às quartas e aos domingos, que sua mulher faz.
É ali que ele recebe notícias do mundo externo - a situação de parentes e amigos, contas a pagar, problemas a resolver. Com menos uma pessoa trabalhando e, por conseguinte, com o dinheiro escasseando, as contas a pagar e os problemas a resolver tomavam, quase sempre, a maior parte do tempo.
Yuri e Virgínia chegaram, até mesmo, algumas vezes, a escrever previamente o que seria discutido no próximo encontro, temendo que não houvesse tempo hábil para resolução de todas as questões. Descabelavam-se, discutiam, aperreavam um ao outro - e não raramente ainda deixavam assuntos pendentes.
De uns tempos para cá, mudaram a tática: não iriam mais desperdiçar as visitas como comumente faziam. Os problemas que se explodissem, as dívidas que fossem cobrá-las no raio que o parta, as querelas familiares que seguissem o curso natural do rio.
Quando não ocorrem visitas íntimas, que só acontecem uma vez ao mês, Yuri e Virgínia passam os minutos da quarta e do domingo curtindo um a presença do outro.
O normal, agora, é que nem gesticulem. Ficam a fitar-se demoradamente. Aprenderam uma nova técnica: se comunicam pelo olhar.