Castanha Limpezinha

Existem pessoas que têm um traço especial, uma caracterpistica singular, que as tornam marcantes em relação a um dado assunto. Por exemplo: quando falamos em Holocausto, lembramos, quase que institivamente, da imagem de Adolf Hitler. Tá bom, eu admito, o exemplo foi escabroso. Outros exemplos: é impensável falarmos em Física Quântica sem tocarmos no nome de Alberto Einsten; discutirmos o cinema moderno sem falarmos em Chaplin, e de sua influência sobre ele; debatermos a literatura brasileira e não salientarmos o peso do realismo de Machado de Assis. Captou a mensagem?
Pois bem, seguindo a mesma lógica associaríamos, diretamente, Pelé ao Futebol, Aristóteles à Filosofia, Shakespeare ao Teatro, Elvis ao Rock'n Roll, João Gilberto à bossa nova. É bem por aí; espero ter me feito claro.
No bairro da Vàrzea, local que frequento apenas para encontrar um velho amigo vendedor de livros, garbo e elegância têm um nome certo. Seus moradores, quando questionados sobre o assunto, sem demora e sem titubeio, respondem, no duro: - Elegância é com o Prof. Helton Silva. Os mais ousados (íntimos?) chegam, até mesmo, ora vejam, a chamá-lo Castanha Limpezinha.

A preguiça de Juarez Prosador

Se fosse só uma vez perdida, vá lá, a gente aceita ou finge que não percebeu, e a vida passa. Mas vamos e venhamos: - não há quem suporte o exagero. Outro dia, vejam bem, eu fiquei quatro horas deitado debaixo de uma sombra de árvore. Quatro horas! A sombra era aprazível, e o local ventilado, mas perder toda a tarde ali foi demais. Com a minha mão em cima da barriga, a cabeça recostada numa moita de grama, eu não respondia nem aos "Boa Tarde!" que me eram direcionados.O pior, é que isso é igual a porre de cachaça: no momento, você acha uma maravilha, depois, e só bem depois, você se arrepende, uma espécie de ressaca moral. Minha situação, no momento, é caótica: - Eu não tenho um vintém no bolso. Eu que já fui soldado do exército, marinheiro, servidor público, comerciante, ourives, técnico de futebol, ajudante de pedreiro. Sempre tive um ganha-pão, nunca me faltou nada nessa vida. E hoje não posso comprar um caramelo na esquina, na barraca de Seu Ariosto. Como não bastasse isso, ainda tenho que aguentar alguns vizinhos infâmes a me soltar piadinhas. Outro dia Dona Genalva me soprou esta:"Vida de rei, né Seu Juarez, mas a casa é de plebeu." Eu já tentei de tudo: tomei remédio alopático, bebi chá de orquídea rosa, fiz massagem na palma da mão com fezes de hipopótamo, fiz promessa a Santo, fui em igreja neopentecostal, mas nada, absolutamente nada, me ajudou. Um pouco antes de começar a escrever essas mal traçadas linhas, eu comi uma gosma amarela chamada Miojo, que o pessoal tem a petulância de chamar de macarrão, tudo porque ela não deixa nem que eu me alimente direito. Ela, sim, é ela que não me deixa viver: - a desalmada da preguiça!
Juarez Prosador 14/06/2011

O peixe não tem olhos (PARTE 4)

(Advertência ao leitor: Esse conto está invadindo um blog de crônicas)

Iugo não conseguiu dormir naquela noite e isto em tal época do ano não era boa coisa. Como foi dito as noites duravam pouco, não mais que quatro horas, e se não se conseguia dormir neste curto tempo não se dormia mais em tempo nenhum porque nas vinte horas por dia em que o sol pairava sobre a cabeça dos cidadãos, o calor era tão sufocante que tirar o menor cochilo era impossível. Em linhas anteriores expus, também, minha opinião sobre Iugo: O acho um idiota. Por quê? Pode se perguntar o amigo leitor. Vamos lá: Iugo sentia-se muito superior aos outros ao seu redor. Tudo bem, justiça seja feita, ele era uma pessoa curioso, bem informada, acompanhava noticiários, era honesto e bom funcionário, mas no mais não era diferente de tantos e tantos incontáveis outros. Mas, ele não via isso, odiava os demais e isso o cegava e quando algumas coisas aconteciam como a situação da venda da ‘idéia da certeza’ para o cliente idoso e intolerante, ele exasperava. Iugo nunca teve muitas chances na vida, mas nunca teve menos chances que a maioria dos demais. Ele não enxergava isso e muitas vezes se lamentava. Como não tinha amigos com quem conversar, dividia suas mágoas com o travesseiro sempre antes de dormir (Está aqui à causa da falta de sono que rasgava sua noite) e de uns tempos pra cá tinha o peixe, o peixe que não tem olhos. Quando estava em casa limando-a ou cozinhando ele conversava com o peixe “Lembra daquele conhecido meu que trabalha na loja de ideias inovadoras, aquele que ganhou uma promoção no mês passado? Eu encontrei com ele hoje e ele me disse que o chefe está gostando muito do trabalho dele, mas tenho certeza que ele só subiu de cargo porque puxa o saco do gerente local se não fosse por isso ele não teria mais chances que eu; às vezes eu penso que todo mundo tem mais chances que eu”. O que Iugo se esquecia de contar pro peixe (E acredite amigo leitor, não era de propósito, era por cegueira) é que o dito colega empenhara-se ao máximo na função que ocupara. Depois de um tempo continuava “Lembra que eu falei do meu gerente lá do emprego? É um otário! Pensa que sabe de tudo, chega pra dizer o que tem que ser feito assim e assado... Às vezes eu acho que todos têm mais espaço pra falar que eu.”. O que Iugo se esquecia de dizer para o peixe é que esse é o papel do gerente: Dar ordens (Mas, isso eu acho que o peixe já sabia). E mesmo assim havia espaço de sobra pra os diálogos, espaços que Iugo não ocupava por achar aquilo pequeno pra ele: “Eu é que não compartilho minhas opiniões com esses ‘menores’”, dizia de si para si durante as reuniões da equipe. Depois voltava a seguir o diálogo com o peixe. No final do dia, tendo concluído tudo, parava em frente ao aquário e falava baixinho, pois tinha medo que o peixe escutasse “São tão cegos quanto você e a única diferença é que em vez de órbitas vazias eles têm cabeças vazias”. Às vezes me pergunto se o peixe não ouvia aquilo e pensava: você não é tão diferente dos outros.

Diário pessoal – Reflexão do dia:
A visão: pode ser biologia (Usando literalmente os olhos) ou simbólica (A ideia que construímos de tudo que vemos enquanto estamos vendo). A maioria das pessoas não tem visão. Sou assim? Provavelmente não, se fosse eu saberia. Será? Não sou. Tenho certeza.
Iugo Um dia assim /do mês de sempre / do ano que já conhecemos.
(Continua...)

Castanha 03 / 05 / 2011

Mais uma vez: Salviano: Um cabra que escreve pro sobrinho.

Posso até imaginar
a sua felicidade
em ter o seu próprio lar
ao lado de quem ama.

É a coisa melhor que há
que Deus abençoe vocês
que a paz reine em seu lar.

Cuide bem dessa menina
pois ela é o perfume
das flores do seu pomar.

Quando eu for a Pernambuco
juro que irei visitar
você e sua princesa
me aguarde que eu vou chegar.

Beijo no coração de vocês...

Salviano 23/05/2011

Um cabra que escreve pro sobrinho: Uma história

Trabalhar longe de casa
não é fácil não senhor
já começa complicado
na hora de levantar
você não acha o chinelo
não quer acender a luz
pra mulher não acordar.

Depois que sai do seu quarto
sem querer fazer barulho
pra mulher não reclamar
vai logo pra o banheiro
pra tomar logo seu banho
e depois ir trabalhar.

Assim que ele sai de casa
passando no corredor
a lâmpada estava queimada
ele não pode enxergar
o cocô do seu cachorro
que ele acabou de pisar
então teve que voltar.

Chegando lá no quintal
pegou o primeiro pano
então limpou o seu tênis
foi embora trabalhar
com toda essa confusão
o ônibus já tinha passado
pra acabar de complicar.

Quando chegou no serviço
estava muito atrasado
o patrão tava esperando
nervoso e muito irritado
não quis nem explicação
já foi mandando passar
na sala do encarregado
pra ele lhe dispensar.

Então ele se arretou
mandou todos se lascar
comeu a marmita fria
e foi pra casa descansar
e jurou pra ele mesmo
que daquele dia em diante
não ia ser empregado
sua vida ia mudar.

Agora ele ia empregar
ele sentou numa praça
começou a observar
muitas crianças chorando
e disse pra ele mesmo
agora vou enricar.

Começou vender chupeta
montou uma borracharia
as coisa andava tão bem
que ele resolveu ampliar
montou loja de pneu
e começou exportar
ele ficou milionário
tudo começou mudar.

Pra acabar essa história
você tem que acreditar
o cabra ficou tão rico
que já pode até comprar
uma fabrica de pneu
que tem lá em Maringá.

Acredite se quiser
mas foi só essa historinha
que consegui inventar.

Salviano 09 / 05 / 2011

O peixe não tem olhos (PARTE 3)

(Advertência ao leitor: Esse conto está invadindo um blog de crônicas)

Naquela tarde, Iugo subiu as escadas correndo; com passos pesados, girou a chave com força, abriu a porta e a bateu com violência. Chegando à frente do pequeno aquário, onde residia o peixe cego, gritou: “São todos iguais a você!”. Um velho senhor havia irritado nosso amigo. Insistia em comprar uma boa ideia que lhe desse a certeza que a certeza que ele seguia era melhor que a dos outros. Iugo, com incrível paciência enquanto explicava o procedimento correto para o manuseio da ideia adquirida. Dizia “Esta ideia deve ser manuseada com cuidado, pois é uma ideia do pacote ‘coleção das verdades’ deve-se ter em mente, como diz no manual de instruções, que não existem verdades absolutas e que esta ideia serve apenas...” foi interrompido bruscamente “Você é igual a eles?” perguntou o idoso “Eles quem?” perguntou Iugo sem entender “Eles! Os outros que defendem outras certezas? Só há uma certeza e quem não acredita nela só pode ser igual aos outros; você é?” nosso personagem tentou responder que não era nada daquilo, mas não conseguiu, pois era constantemente interrompido pelo discurso ortodoxo do cliente. Depois de alguns instantes desistiu de explicar qualquer coisa, estava furioso. Mas, o pior foi quando o cliente, com olhar arrogante colocou o pacote com a ideia em baixo do braço e dirigiu-se ao caixa para pagar o que estava levando. Durante a ação manteve o olhar de desleixo apontado para nosso personagem. Foi a gota d’água, Iugo arrumou suas coisas, mentiu dizendo que estava passando mal e pediu para largar antes da hora. No caminho para casa praguejou, em pensamentos, horrores que não devem ser descritos aqui para não ferir os olhos do bom leitor.

Diário pessoal – Reflexão do dia:
Receita de paciência:
Duas xícaras de tolerância,
Duas xícaras de bom senso,
Duas xícaras de compreensão,

Modo de preparo:
Misture tudo e exponha ao cotidiano.

Obs: Exposto a certa temperatura, tudo pode estragar.

Iugo 40 desse mês do ano corrente.
(Continua...)

Castanha 21/04/2011

Um cabra que escreve pro sobrinho: De novo.

É muito ruim quando a gente
não sabe o que escrever
porque está faltando assunto
não tá tendo nem lazer.
lá fora esta chovendo
vou ficando dentro de casa
e assistindo a TV
comendo pipoca quentinha
junto com a minha velhinha
eu não quero nem saber
é melhor ficar dentro de casa
que sair sem guarda-chuva
e começar a chover.
eu estava analisando
como é legal se casar
quando os dois se entendem
é a coisa melhor que há
comparo o meu casamento
com o que quero falar
já faz 25 anos que estamos convivendo
sem que precise brigar
é assim que tem de ser.
nunca devemos mudar
essa é a minha história
faça dela uma lição
casamento pra dar certo
tem que ter muita união
bom senso e compreensão.
desculpe os erros
Deus te abençoe e parabéns pela namorada!
Ela é muito linda! Carmelita e eu mandamos beijo pra ela.
fui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Salviano 02/05/2011