Os males do fumo

Estava por acaso dias atrás cruzando a esquina da Artur Xavier com a principal e com quem dou de cara? O aumento do preço de cigarros. Estava estampado na primeira página e pendurado na banca de jornal. É de conhecimento público que recentemente o governo, por causa da crise mundial, reduziu os impostos de alguns setores e aumentou o de outros. Não preciso dizer que o cigarro foi escolhido para tapa as brechas da crise. Quer saber como? Transformando seus consumidores em contribuintes mais fervorosos. O aumento do preço do cigarro interfere na rotina dos fumantes de forma muito mais detalhista do que imagina o governo. O governo na verdade não se preocupa com isso e mesmo que triplicasse o preço dos cigarros continuaria tendo o apoio da maioria das pessoas, que por sua vez não são fumantes. E isso porque é mais cristão aumentar o preço do pecado em vez de outros produtos como pão e fubá. Já para o fumante é mais delicado. Primeiro são os amigos não fumantes que soltam a toda hora pilhérias do tipo “bem feito, quero ver se agora tu não para de fumar?!”. Depois são os problemas com os pedintes os “se me dão” que é “só fumo se me dão” este tipo de pessoa pode estar em todos os lugares, pode ser seu colega de bar ou o mendigo na parada de ônibus; não importa, se o sujeito aparecer lhe pedindo um cigarro você vai pensar duas vezes vai lembrar do aumento do governo e por ultimo vai negar dizendo que não tem. E o pior ainda esta por vim, são os barraqueiro que pensam que todo fumante é burro. Como? Lucrando horrores no preço do cigarro a retalho e usando a desculpa da crise mundial. Uma carteira de cigarros custa três reais e tem vinte unidades, o barraqueiro vende a unidade a quarenta centavos lucrando no final das contas oito reais em cima da carteira e quando a gente pergunta por que a unidade é tão cara ele responde cinicamente “por causa do aumento do governo”. Os mais cínicos ainda fazem cara de preocupado como se sentissem muito pela situação. Você, leitor não fumante, sabe o que essa série de coisas causa em nós fumantes? A sensação de ser mais contribuinte que os outros. Contribuinte do governo, dos pidões, e da pouca vergonha dos barraqueiros. Na verdade nunca me senti tão contribuinte como agora e só uma coisa pulsa dentro de mim mais forte que a lembrança dos impostos do cigarro: a vontade de parar de fumar.




Castanha 08 / 05 / 2009

QUEM COM PORCOS SE MISTURA! FARELOS COME

Dedicado a Enedina Ana Silva

Preciso dizer essas palavras leitores, gritar aquilo que vinha sufocando-me, dessa vez não estou preocupado em elaborar uma historia fantástica! Com recursos textuais e lisuras inventivas, isso aconteceu hoje e preciso demais desabar!
Bom. Estava eu saindo da aula para acompanhar o jogo do time que amo, depois de muito insistir, consegui convencer um amigo de longa data, que não gosta de futebol, a assistir o jogo comigo. Aos 35 cinco minutos do primeiro tempo, esse amigo me faz a pergunta clássica: porque esse gol não valeu, e respondo: o jogador estava impedido, e sem pestanejar ele retruca: como assim? Como você sabe?
Como um atrevido desses aparece em nossa vida. Em que momento de nossas existências, abrimos as portas, para certas categorias de sujeitos e o classificamos de amigo, o cara queria simplesmente, discordar de algo que nem conhece, que petulância! Que absurdo! Bem caros leitores, bêbados sim isso mesmo, embriagados, (adoro essa palavra), estávamos ao final da partida. Tortos de álcool e sedentos de cigarros, milhões de planos são traçados, o espetáculo da decadência! Se apenas isso não bastasse, a música surge na cena. Porque; um boteco vagabundo, sujo e com um tia que lhe serve simpaticíssima e feliz; espetinho de gatos assando ao fundo, meia dúzia de vagabundo e um violão, é algo de um poder atrativo tão surpreendente que não cabe num breve crônica amadora!
Entre acordes absurdos e vinho barato, já eram três da madruga. Meu amigo inventa de iniciar uma discussão, acerca de quando, e onde a vida começa? Qual nossa concepção sobre a vida? e tra-lá tra-lálá, puta que pariu.
E tem mais, através de um jogo retórico impressionante, percebo que naquele instante seu objetivo vital, o maior de todos, o único, é o de sobrepor meus argumentos. Que descarado meu deus!
A noite vira um inferno, meus caros! Tenho certeza que vocês têm amigos como esse! E o pior, é que sempre nos deixamos seduzir por essas espécies de pessoas, e sentimos saudades quando demoramos a revê-los. O ser humano é mesmo um idiota completo.
É chegada a hora de voltar pra casa! Ah! E nesses momentos somos capazes de materializar nossos desejos, aos fechar os olhos conseguimos sentir a agua do chuveiro deslizando em nosso corpo, a cama quentinha e cheirinho do lençol. Mas logo nos surge a confirmação: ainda não passou o bacurau! Espera. Os minutos passam devagar, os cobradores começam a amontoar nas paradas, a noite estabelece um silencio ensurdecedor. Porque me deixei levar? Porque não fui pra casa depois do jogo? Sou dono de mim de meus deuses! Porque me submeto à estas situações ainda? Subo no ônibus e o cobrador me olha de forma estranha, sento na poltrona e olho pela janela, e reflito essa frase genial, que escuto desde criança, realmente: quem com porcos se mistura! Farelos come!

A divina prestação

De tudo se vende nesse mundo: comida, bebida, livros, terras, pessoas e até dinheiro, isso mesmo leitor: dinheiro! O dinheiro que, aparentemente, só serve para comprar, pode torna-se algo a ser comprado.
A passagem para os céus também é produto de comercio, caro leitor. Na verdade ela é um blinde com cinco estrelas. A propaganda, pequenos panfletos com mensagens bíblicas, é entregue nas ruas por católicos e evangélicos. Para tomar conhecimento de como a coisa funciona você pode procurar a igreja (balcão de atendimento) mais próxima de sua casa. É assim: O credor, todo poderoso, lhe dá a vida (serviço que compramos obrigatoriamente) no momento do nascimento, sem que você possa ler o contrato (você ainda não tem idade pra isso). As prestações devem ser quitadas com ações “corretas” durante a sua existência na terra (balcão para pagamento de serviços). Se as parcelas forem pagas em dia o cliente terá direito ao crédito eterno e a passagem e hospedagem para os céus vêm como brinde pelo empenho no pagamento das parcelas.
Para os inadimplentes restam as trevas (serviço de proteção ao crédito) utilizadas para garantir que a maioria dos devedores não fuja a responsabilidade da dívida. Existe a possibilidade de dever e não ir para o SPC celestial? Não, leitor. Você terá que ir nem que seja pra passar uma temporada ou no mínimo terá que passa pela sala de espera do purgatório, espaço reservado para os clientes que conseguiram quitar mais ou menos metade da dívida durante a existência.
A propaganda chegou para mim no terminal de ônibus da estação barro. Dizia que Deus, o poderoso credor, lhe da tudo, e pode dar um pouco mais na outra vida, sem pedir nada em troca a não ser: a sua vida. Ora! Isso é de mais! É pagar o serviço com o próprio serviço, só que agora minha vida vale mais, pois tem um toque todo meu. E mais, as cláusulas deste contrato me foram empurradas num momento ruim, pois eu não conhecia as regras deste mundo e estava em momento de extrema necessidade, precisava nascer. Mas, segundo dizem na praça, o banco celestial não negocia dívidas. Ou paga, ou paga.
Não faço idéia de as quantas andam os juros da minha dívida, mas talvez esteja no vermelho. Outra dúvida é saber se tenho os pontos mínimos para ganhar de brinde o pacote com passagem e hospedagem para o santo retiro; não me ache apressado leitor, mas a gente não sabe quando vai precisar destas coisas.
No verso da propaganda com a mensagem bíblica, num espaço menos importante, estava em letras miúdas: Gráfica de Tal, fone xxxx-xxxx. E num espaço ainda menos importante, carimbado com tinta vagabunda: Irmão Fulano de Tal - pedreiro, eletricista e encanador, fone xxxx-xxxx. É isso mesmo leitor, de tudo se vende.

Castanha 11 / 04 / 2009

A primeira crônica

Olá camarada, já faz alguns dias que não conversamos; ou a algumas contagens de 24 horas. Existem mil formas de contar e perceber o tempo. Em nosso ultimo encontro decidimos escrever crônicas. Pensei no que você me falou “quando estiver sentindo escreva”. Pois bem, escrevo.
Arrumei meu quarto, quase por ultimo revirei umas fotos velhas. Tive vontade de rasgá-las. Rasguei. Senti-me bem e mal por isso. Estava rasgando algo que servia para me lembrar de bons momentos.
As fotos que rasguei congelavam rostos e situações de forma que eu considero esteticamente ruim (não gostaria de escrever aqui: feias ou ridículas). As pessoas fotografadas não eram fotogênicas, isso fazia as memórias palpáveis parecerem ruins apesar de em minha cabeça saber que eram memórias boas. Rasguei por não mostrarem o que eu queria ver; confesso, sou mais fútil do que me deixo mostrar. Por isso me senti mal, por apagar memórias palpáveis de momentos tão divertidos. E por quê? Pura futilidade.
Por outro lado senti-me bem, porque estas fotos traziam, também, lembranças de momentos que senti confusos. Não o momento em si, mas, o todo: as semanas, dias e horas que envolveram o instante fotografado.
O que são as lembranças, camarada? Talvez eu esteja errado, mas acho que as lembranças ajudam-nos entre outras coisas a contar o tempo. Exemplo? Consultar as memórias de tudo que vivemos e nos tornamos desde o primário até a mesa do bar, nos da uma idéia de como o tempo passou. Desta forma camarada, o tempo não está só nos relógios, mas, principalmente, nas lembranças e na sensibilidade com que as consultamos. As memórias servem de elo entre o que fomos e como nos transformamos e sermos agora. Eis outro motivo que me levou a rasgá-las e joga-las no lixo: as “fotos / memórias” serviam de portal entre o “hoje” e um “recorte passado” da minha vida que eu não quero ver repetir. Quero continuar quebrando as portas que me levam para o passado que não me agradou, mesmo sabendo que esta porta vai volta à tona num ou noutro momento.
Gostaria de dizer que este desabafo me tornou menos fútil, mas isto não aconteceu. E se eu lhe disser que me sinto totalmente ruim por não melhorar, estarei mentindo. Também não me tornei menos antipático em relação às memórias palpáveis que não gosto e em relação as “portas” que levam para o passado. 
Parou! Não vou mais explorar minhas lembranças, pois elas podem me fazer pensar demais em mim, no que eu era e no que eu sou, e eu não sei se quero me conhecer tanto. Tentar conhecer-se perfeitamente pode gerar um sentimento pretensioso e falso de que sabemos tudo sobre nós. Prefiro deixar a vida saciar aos poucos minha curiosidade de conhecer a alma, até porque não há como conhecê-la totalmente, esta só cessa de se transformar quando cessamos de respirar. No final acho que gosto das incertezas. Mas já está bom! Não digo mais nada, nem que sim nem que não. Não que fique o dito pelo não dito, e sim porque eu simplesmente não quero dizer.
Abraço camarada.

Castanha 04 / 09 / 2007


Essa foi hoje mesmo*

Ter um tema mesmo eu num tenho não. Muito menos inspiração.E o pior: não faço idéia se nossos fiéis leitores continuam fiéis mesmo, mas estou devendo um texto aqui faz é tempo. Pelo menos Helton e Ricardo vão ler (creio eu). Então vamos lá.

Estou no Camaragibe/Príncipe, me deslocando para o centro da cidade. Sobe uma figura esquisita: com terno mal alinhado, um bigodão e uma cara de ex-presidiário. O sujeito começa a berrar e logo da pra saber que se trata de um crente, desses que arretam a paciência da gente dentro no ônibus. Penso comigo: Puta que pariu! Além de acordar cedo, pegar um ônibus lotado e desconfortável, a gente ainda tem que escutar esses caras pentelhando. Penso em mandar o dito cujo calar a boca, ou da-lhe uma porrada pra ver se resolve. Paro, respiro fundo, conto até dez, busco uma paciência interna que aprendi a desenvolver nos tempos de movimento estudantil. Pronto. Já esqueci do cara, que vá pros diabos que o carregue.

Na volta, sobe outra figura no ônibus. Já começo a ficar puto, dessa vez eu vou partir pra porrada mesmo. Não vai ter boquinha não. Eis que o cara começa a falar e vou me acalmando, não era crente pentelho. Era Sales, um sujeito baixinho, feio e barrigudo, como ele mesmo disse. Pra piorar é gago. Mas disse que seu problema é psicológico, que só gagueja em duas situações: quando está nervoso ou quando encontra outro gago.

Aí eu não me contive e comecei rir, eu só não, metade do CDU/Várzea também caiu na gargalhada. Suspeito que ele queria justamente isso pra ser escutado. Sales faz um trabalho louvável: ajuda crianças com aids. Arrecada doações nos coletivos e convida as pessoas para visitarem o abrigo. A satisfação dele está estampada no sorriso. Aos poucos o mal humor das pessoas vai perdendo resistência perante aquele homem baixinho, feio, gago e barrigudo. De repente, ele parece um gigante, muitas pessoas escutam com atenção o que ele diz. Finalmente, passa um lenço e pede pras pessoas colocaram algumas pratas. Não dou dinheiro, vivo sempre liso pra cacete. Mas anoto o nome do abrigo e prometo fazer uma visita a essas crianças. Depois digo a vocês como foi.
*Sem revisão.

O maloqueiro, a OI e a senhora dos seios enormes.

Hoje ao adentrar o ônibus Vila dois Carneiros no bairro de Tejipió, depois de ler algumas páginas do livro Contos Peregrinos do mestre Garcia Márquez, deparei-me com uma sombra exatamente sobre a página 55. Era um garoto de uns 13 ou 14 anos que, como diz minha avó, vinha amorcegando o coletivo. De inicio fiquei impressionado com a coragem do maloqueiro, que estava não do lado da calçada, mas do lado oposto e a esta altura estávamos em Afogados, onde a avenida fica bem mais estreita, uma verdadeira loucura executava o rapazinho. Mas o fato que mais me chamou atenção foi que o menino trazia em uma das mãos uma sacola de uma das operadoras de telefonia móvel que trabalha em nosso estado, a TIM. Neste momento, lembrei de meu amigo Helton, que se utilizando da minha condição de estudante regularmente matriculado, realizou empréstimos de alguns livros em meu nome, e hoje, seria o dia da devolução das obras, de súbito saquei do bolso meu celular para lembrá-lo de renovar o empréstimo e tentei uma, duas, três... Meus amigos! Foram nove tentativas sem êxito algum. Isto me fez cair em si, de que sou cliente da operadora OI a cerca de seis, setes anos acho, e vira e mexe tenho problemas para operacionalizar a função básica de todo telefone, realizar chamadas.

Umas três paradas depois o maloqueiro desceu do coletivo, mas a indignação só aumentava dentro de mim. Com a portabilidade, existe a possibilidade de você transferir seu número pra uma outra operadora, sem custos adicionais, mas existem diferenças entre elas, desde um melhor atendimento, cobertura, até a questão das tarifas e promoções oferecidas. Foi realizada uma pesquisa, que mostrou que cerca de 82 a 83% dos celulares no Brasil, funcionam no regime Pré-pago, ou seja, não seria justamente eu que iria me situar na situação dos 18% restantes. Desde que adquiri o primeiro celular sou cliente Pré, tanto por questões financeiras, como por uma questão de controle dos gastos, já que na teoria, você reservaria uma quantidade “x” de créditos, que atenderia suas necessidades no decorrer do mês. Quanto ao valor da recarga é justamente aí que reside o dilema: como a abandonar a operadora OI, que por se destinar ao público da classe baixa - ao contrário da TIM por exemplo - oferece os créditos mais baratos do mercado? Toda essa questão hameletiana: o desejo enorme de abandonar a OI, e a conveniência do preço dos créditos. Acompanhava-me pelas ondas da insatisfação.
Mas eis que algo finalmente me livrou destas reflexões. Uma senhora com uns peitos enormes tentava passar por entre mochilas escolares e umas 10 pessoas, no corredor do coletivo. Por já estar próximo ao centro da cidade, sobravam algumas cadeiras vazias, mas ela sentou justamente ao meu lado. Depois de reclamar do calor, mostrou-me um bilhete de metrô que havia achado, e me perguntou se aquilo possuía algum valor, pedia-me também ajuda para a inserção de novos créditos em seu celular:
“é que eu sabia colocar os crédito no outro, que era da CRARO, mas mudei pra OI, porque é mais melhor e mais barato”. De pronto respirei fundo para não lhe atacar o pescoço, contei até dez disse o caminho que ela deveria realizar para que os créditos fossem inseridos, em seguida falei que o bilhete, que ela havia achado, não tinha nenhum valor, mas lembrei dos vendedores de jujubas da integração e disse, que ela podia trocar o bilhete pela guloseima na estação. A senhora sorriu e me respondeu: “ah! intão tá certo, quando chegar na INTREGAÇÃO eu troco, brigado viu meu fio! Qual o seu nome?...”

Rico Santana.

Férias Necessárias

Nota de Esclarecimento.

Caros companheiros escrevinhadores e leitores. Venho em nome do Pássaro Bege, informá-los que o mesmo encontra-se de férias por tempo indeterminado, para reforçar seu arcabouço alucinógeno na ilha da imortalidade, junto aos grandes mestres da sapiência escrevinhadora. Eu Rico Santana fui incumbido de substituí-lo neste curto período e gostaria de ressaltar a honra, que me toma o peito por contribuir com este projeto inovador, sagaz e atemporal chamado FOI HOJE.



Recife 21 de Março de 2009