A CULPA CRISTÃ
Parte (47)
Os pés descalços imprimem ao chão de barro.
A escultura do descaso e da cegueira.
De fronte à festa havia muitas esculturas,
de aura pura, e valor inquestionável.
Talvez nos olhos daqueles automóveis,
houvesse luz para iluminar o óbvio.
Mas a escuridão que chega com a sujeira,
não traz leveza pros olhares descuidados.
Se escrevinhadores pudessem fazer versos.
Um lança chamas que queimasse esses retratos
Fariam bombas que explodissem as consciências
E serviriam num banquete anunciado.
Champanhe francês com culpa para tirar gosto.
Por:
Pássaro bege. 14 de outubro 2008
Coisas da ciência (!?)

(Clique na foto acima antes de ler o seguinte comentário)
“Desculpa de menino amarelo é comer barro!”, foi isso que Pagú respondeu quando enviei o resultado desta “pesquisa” pra lista de e-mail do DACS. Tudo bem, pode até ser. Mas o quero compartilhar aqui são outros quinhentos: o resultado obtido por esses pesquisadores é altamente questionável. Vejamos: O sujeito fica olhando fixamente, durante 10 minutos diários, para os seios de uma mulher. Isso deve fazer um mal desgraçado pra saúde dele! Além disso, ele precisará de outros 10 minutos sozinho...sabe-se lá, ne?Imaginem a angustia que deve ser olhar todo santo dia e não poder fazer nada. Talvez Helton e Ricardo gostem, eu mesmo não queria...

O FLAUTISTA
A música realmente nos faz sentir inúmeras sensações, cheiros, gostos...
A carta:
Recife, 12 de março 1976.
Sentia-me enfastiado entre o absurdo das transpirações e a cara enrugada do jovem; O Flautista. Parecia haver algo de estranho aquele olhar, mas logo percebi que o estranho era mais que casual, olhava-o por sob meus desejos mais insanos e sobre o monitor sua partitura paquerava-me.
Encabulado, retirei-me do espaço angustiante. Mas claro que antes de fazê-lo perguntei se individuo aceitaria um cigarro.
- Nunca gostei de por essas coisas na boca.
Respondeu.
Fui tomado de assalto com a resposta achando-a um tanto acida e perspicaz. Sorri e abri as grades de ferro e logo após descer as escadas, pude notar que o flautista havia me acompanhado e pude reparar que trazia consigo sua flauta.
- Gosta de flautas?
- Já coloquei uma dessas na boca.
Ele sorriu e retrucou
- Me concede um cigarro?
E entre fumaças e notas dissonantes marcamos um encontro.
No teatro do parque, Dimitre exibia uma de suas mostras itinerantes, com seus famosos quadros psicodélicos e nesse instante enumerávamos diversos gostou em comum.
Bêbados e contentes ficamos nus num cantinho próximo ao ancoradouro.
Na segunda-feira cheguei ansioso e perguntei a secretaria do conservatório se já havia chegado o flautista. Ofegante e destemido corri pelos corredores, posto que, tinha sido informado de sua solidão na sala de música.
Abrindo a porta...
Percebi o engano da secretária. Estava o flautista acompanhado de uma jovem de cabelos cacheados e de bustos volumosos. Vi o tal rosto enrugado perdendo-se por entre as dunas do corpo daquela jovem. ...
... É isso caro leitores, foi hoje. Está carta foi achada por meu filho de 14 anos, por entre as paginas de um livro de cirurgias plásticas jogado na estante.
Sobrevivi ao trauma e juro mesmo, nunca coloquei silicone. Hoje sou pai de um casal lindo, minha esposa e eu somos muito felizes e temos uma casa de veraneio em São Francisco.
Por: Pássaro Bege
Como conhecer um recifense
Eu estava aqui em Petrolina, de fronte ao centro de convenções. Tinha acabado de usar o orelhão e acendia um cigarro, quando fui surpreendido por uma mulher:- É de Recife, não é?
- Eu? Sou, mas como é que você sabe?
- Pelo jeito. O povo de Recife anda assustado, olhando pros cantos.
- E você, é de Recife também?
- Não, sou de Salvador...
E por aí breve conversa seguiu rapidamente. O assunto foi a violência. Se comparada com Recife, Petrolina é quase um semiparaíso. Pelo menos os bairros onde tenho andado são tranqüilos. Fiquei especulando depois, e acho que a violência aqui é menor porque boa parte da população de baixa renda trabalha na agricultura. Embora ganhe pouco e seja uma mão de obra explorada, eles não tem tempo ocioso, passam os dias nas fazendas. É dura, mas é a realidade.
Vou ficando por aqui. Estou numa lan house de r$ 1,50 a hora.
Abraços
V.R.
Na estrada
Bem, esse blog ta muito parado! Diariamente, milhares de leitores nos escrevem pedindo novas crônicas. Querem que os editores compartilhem suas observações do cotidiano, daqueles pequenos momentos que normalmente passam despercebidos. Tudo bem, amigo leitor, é verdade que estamos na dívida com vocês. Vou pagar minha parcela e deixar os juros para os paladinos Elton e Ricardo, que são os verdadeiros cronistas desse espaço.
Já enrolei demais, chega de conversa fiada. Nesse momento, estou no Vale do São Francisco, mais precisamente em Petrolina, lugar bastante conhecido pelas frutas que exporta e pelos bodes. Bodes, sim. Um dos locais mais badalados da cidade é o “bodódromo”. Aqui tem todas as modalidades de bode: assado, ao molho, sopa, até sorvete de bode tem. E perguntei a um amigo se ele comia bode. O sujeito não pensou duas vezes: - só quando seguram o bicho. Uma outra coisa que me chamou a atenção logo de cara foi a televisão. No aparelho do meu quarto só pega o sinal da rede Bahia. É o dia todo passando propagando do ACM e notícias fresquinhas de Salvador. Isso é quase uma tortura. Nunca pensei que fosse ficar feliz em poder ver o Jornal Nacional, a novela das oito e coisas do tipo.
Meu povo, vou ficando por aqui. Não me perguntem o motivo desse texto, pois ele é simples: ocupar parte do meu tempo ocioso e dividir com vocês alguns momentos. Prometo que da próxima vez faço um texto sério, sem quebrar o protocolo.
Grande abraço
V.R.
(diretamente de Petrolina)
Aquele Quadro

Dedicado à tia Mônica!
Uma espécie de quadro com bordas douradas pendurado na parede do quarto, intrigava extremamente D. Jane Alzheimer de 77 anos. No quadro havia uma mulher belíssima de olhos negros e uma cútis esbranquiçada. Jane evitava ao máximo fitar aquele objeto, pois aquela imagem inserida nele causava-lhe angústia, medo e certa repugnância.
Determinado dia pensou ter visto aquela figura mexer-se, vencendo o susto inicial, aproximou-se da obra e tentou dialogar com aquela mulher.
No inicio as conversas eram recheadas de ódio, acusações e desconfianças, mas com passar do tempo, abrandaram-se na peleja e uma tornou-se leal confidente da outra e começaram a encontrar diversos pontos em comum.
No dia 13 de janeiro de 1930, Dona Jane Alzheimer faleceu e sua Filha Mônica, preparou todo o rito de cremação, um desejo de Jane outrora manifestado. Voltando a casa foi até o quarto de sua mãe e resgatou um objeto que guardaria para sempre como uma especial recordação de sua mãezinha, um velho espelho com bordas douradas no qual D. Jane passava horas a fio em sua frente.
Pássaro Bege.
26 de maio de 2008.
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