Estou voltando...


Meus queridos escribas e leitores, li um comunicado no diário oficial da união que falava sobre a minha exoneração deste blogue. E o motivo era a baixa produtividade, quer dizer, a inatividade, o abandono do emprego. Consultei meu advogado e fui instruído a adotar uma linha defesa que requer minha reincorporarão imediata e, ainda, solicita que me seja dada a liberdade de tratar de novos temas, condizentes com o meu estado de espírito.
Para começo de conversa, compartilho com vocês uma pequena reflexão que fiz recentemente. Caso considerem o tema cafona, entro na justiça e solicito indenização.
Grande abraço!
Segue o texto:

Uma das definições de amigo, segundo o dicionário Michaelis, diz que se trata de “indivíduo unido a outro por amizade; pessoa que quer bem a outra” e, ainda “colega, companheiro, amador”. Obviamente, existem outras formas de definir essa relação social específica, que é a amizade. Recentemente, li um pequeno texto de um novo amigo, porém muito especial, Marcelo Barros, que diz que a amizade é "a manifestação do rosto divino na terra.” Quando leio essas palavras, visualizo a amizade sincera, espontânea, gratuita, que não cobra nada e não é movida por outros interesses além do afeto gerado, construído. Às vezes estamos passando alguma dificuldade, tristes ou sem ânimo para tomar algumas decisões importantes e, de repente, encontramos um amigo, conversamos e ficamos revigorados, confortados, prontos para enfrentar os desafios e seguir nossas missões. Não tenho dúvida, portanto, que existe uma lógica transcendental que rege as amizades reais.
Nossos amigos não precisam ter os mesmos gostos que nós ou ser da mesma faixa etária, nem pertencer à mesma classe social. Em alguns casos, são pessoas tão diferentes de nós que um raciocínio lógico tem dificuldade em explicar como é possível que estejamos ligados um ao outro. A amizade, meus caros, se me permitem arriscar uma definição, se estabelece quando o coração vibra na mesmo sintonia.
Os caminhos que trilhamos na vida, por opção ou por motivos que fogem ao nosso controle, nos aproximam mais de alguns amigos e, muitas vezes, nos afastam de outros. Tenho amigos que não vejo mais com tanta freqüência, outros que encontro mais constantemente, mas cada um deles se revela de uma forma própria, especial, que não permite mensuração e comparação. Apenas sentimos e, não temos dúvidas, podemos contar com eles sempre.
Dedico essa pequena reflexão aos amigos que fiz na infância, no colégio, na faculdade, na militância e, mais recentemente, no grupo de oração e teologia. Ah! E aos amigos que a vida ainda há de prover (mais).
(A imagem da fenix foi retirada do site http://anancara.blogspot.com/)

A Chuva

Através da janela fechada, que divide dois mundos, o de lá e o de cá, a força da chuva balança as folhas das árvores. A árvore está molhada. Estão molhados o carro, a rua, a cidade, a vontade de viver. Com a água da chuva. Chuva que significa fertilidade. Mas que, em excesso, pode signifcar destruição. Pela janela a chuva leva a árvore, o carro, a rua, a cidade, a vontade de viver. Depois da chuva, não resta nada. Só os sinais de que a chuva passou.

Só queria ver teus olhos!




Pensar a lacuna na série de imagens, por mim aqui perfiladas.

Pensar o que irá preencher o lugar da interrogação, é pensar que as imagens, tendem a torna-se anacrônicas. Será?


Se lhe toca, tudo o que acima questionei!

Então peço-te humildemente que responda minha pergunta!

E nesse exercício mental, qual imagem substitui hoje pra você essa interrogação?

Tal atitude nos mostrará de maneira interessantíssima, como é produzido seu olhar!

E aí! Querem tentar!?




Pássaro bege!



A Crise dos Leitores

De mais a mais, cá com meus botões, e devaneios sem pé nem cabeça, eu já tinha chegado a essa conclusão. Com sinceridade, não se precisa de um grande esforço para alcançarmos ela. Mas, sabe como é?, dizer, assim na xinxa, para os meus companheiros de boteco e de blog, pode enfraquecer a amizade.

Não digo para eles, digo para vocês. Se ficarem chateados comigo, recorro à tal da licença poética.

Hoje em dia o mercado editorial vive uma crise. E onde começa essa crise? No leitor. Alíás, na escassez dele. O leitor de hoje, quando existe, lê livro de auto-ajuda. Em segundo lugar, livro de auto-ajuda. Em terceiro, idem. Quarto, idem. Ali pela décima-nona preferência aparecem os leitores de biografias, e pára por aí.

Os de ficção? Afora os de Harry Potter, não existem. Tá bom, existem. Mas são bem poucos e estão bem entocados.

E o pessoal aqui, este velho gordo que ora vos fala incluso entre eles, resolve fazer um blog sobre o quê? Literatura, ora essa. Ficção, ora veja. Você poderá argumentar que o blog é sobre crônicas, e que estas são um relato, com um olhar pessoal, sobre um fato acontecido. Não é mesmo? Nem sempre. Na realidade, não se tem como saber se o fato contado é verídico ou não.

E para chegar ao ponto central, isso, na verdade, é o que menos importa. Se a história lida tocou, comoveu, mexeu com o leitor, pouca interessa se ela é ou deixou de ser verdadeira. A literatura independe disso.

Mas isso, claro, quando se tem os leitores, e eu falava justamente sobre a ausência deles. Dia desses, navegando pela internet, vi um artigo falando que, no mundo da internet, existem mais de 10 milhões de blogs ativos. Pode gastar as exclamações, é um número gigantesco mesmo. Depois desse susto inicial, depois de nos sentirmos uma gotinha no Oceano Pacífico, já podemos partir para indagação crucial. A pergunta certa não é "Quem me lê?", mas, concerteza, "Quem lê tanta gente?". Será que há leitores fiéis para todos esses blogs?

E no meio de tanta variedade, blog de culinária, blog de moda, blog de gente famosa, blog sobre gente famosa, etc., tem um blog formado por um grupo boêmios recifenses que fala sobre literatura e ficção. Como se não bastasse escolher uma área saturada para escrever (blog), escolhemos a subárea onde menos tem menos gente que lê.

Mas será que não tem ninguém que lê a gente? Será?

Se você, meu caro amigo, minha paciente leitora, chegou até aqui, até essa última linha, poste um mísero comentário para não deixar o autor dessa crônica, inviável como das outras vezes, mascando o jiló da solidão.

Castanha Limpezinha

Existem pessoas que têm um traço especial, uma caracterpistica singular, que as tornam marcantes em relação a um dado assunto. Por exemplo: quando falamos em Holocausto, lembramos, quase que institivamente, da imagem de Adolf Hitler. Tá bom, eu admito, o exemplo foi escabroso. Outros exemplos: é impensável falarmos em Física Quântica sem tocarmos no nome de Alberto Einsten; discutirmos o cinema moderno sem falarmos em Chaplin, e de sua influência sobre ele; debatermos a literatura brasileira e não salientarmos o peso do realismo de Machado de Assis. Captou a mensagem?
Pois bem, seguindo a mesma lógica associaríamos, diretamente, Pelé ao Futebol, Aristóteles à Filosofia, Shakespeare ao Teatro, Elvis ao Rock'n Roll, João Gilberto à bossa nova. É bem por aí; espero ter me feito claro.
No bairro da Vàrzea, local que frequento apenas para encontrar um velho amigo vendedor de livros, garbo e elegância têm um nome certo. Seus moradores, quando questionados sobre o assunto, sem demora e sem titubeio, respondem, no duro: - Elegância é com o Prof. Helton Silva. Os mais ousados (íntimos?) chegam, até mesmo, ora vejam, a chamá-lo Castanha Limpezinha.

A preguiça de Juarez Prosador

Se fosse só uma vez perdida, vá lá, a gente aceita ou finge que não percebeu, e a vida passa. Mas vamos e venhamos: - não há quem suporte o exagero. Outro dia, vejam bem, eu fiquei quatro horas deitado debaixo de uma sombra de árvore. Quatro horas! A sombra era aprazível, e o local ventilado, mas perder toda a tarde ali foi demais. Com a minha mão em cima da barriga, a cabeça recostada numa moita de grama, eu não respondia nem aos "Boa Tarde!" que me eram direcionados.O pior, é que isso é igual a porre de cachaça: no momento, você acha uma maravilha, depois, e só bem depois, você se arrepende, uma espécie de ressaca moral. Minha situação, no momento, é caótica: - Eu não tenho um vintém no bolso. Eu que já fui soldado do exército, marinheiro, servidor público, comerciante, ourives, técnico de futebol, ajudante de pedreiro. Sempre tive um ganha-pão, nunca me faltou nada nessa vida. E hoje não posso comprar um caramelo na esquina, na barraca de Seu Ariosto. Como não bastasse isso, ainda tenho que aguentar alguns vizinhos infâmes a me soltar piadinhas. Outro dia Dona Genalva me soprou esta:"Vida de rei, né Seu Juarez, mas a casa é de plebeu." Eu já tentei de tudo: tomei remédio alopático, bebi chá de orquídea rosa, fiz massagem na palma da mão com fezes de hipopótamo, fiz promessa a Santo, fui em igreja neopentecostal, mas nada, absolutamente nada, me ajudou. Um pouco antes de começar a escrever essas mal traçadas linhas, eu comi uma gosma amarela chamada Miojo, que o pessoal tem a petulância de chamar de macarrão, tudo porque ela não deixa nem que eu me alimente direito. Ela, sim, é ela que não me deixa viver: - a desalmada da preguiça!
Juarez Prosador 14/06/2011

O peixe não tem olhos (PARTE 4)

(Advertência ao leitor: Esse conto está invadindo um blog de crônicas)

Iugo não conseguiu dormir naquela noite e isto em tal época do ano não era boa coisa. Como foi dito as noites duravam pouco, não mais que quatro horas, e se não se conseguia dormir neste curto tempo não se dormia mais em tempo nenhum porque nas vinte horas por dia em que o sol pairava sobre a cabeça dos cidadãos, o calor era tão sufocante que tirar o menor cochilo era impossível. Em linhas anteriores expus, também, minha opinião sobre Iugo: O acho um idiota. Por quê? Pode se perguntar o amigo leitor. Vamos lá: Iugo sentia-se muito superior aos outros ao seu redor. Tudo bem, justiça seja feita, ele era uma pessoa curioso, bem informada, acompanhava noticiários, era honesto e bom funcionário, mas no mais não era diferente de tantos e tantos incontáveis outros. Mas, ele não via isso, odiava os demais e isso o cegava e quando algumas coisas aconteciam como a situação da venda da ‘idéia da certeza’ para o cliente idoso e intolerante, ele exasperava. Iugo nunca teve muitas chances na vida, mas nunca teve menos chances que a maioria dos demais. Ele não enxergava isso e muitas vezes se lamentava. Como não tinha amigos com quem conversar, dividia suas mágoas com o travesseiro sempre antes de dormir (Está aqui à causa da falta de sono que rasgava sua noite) e de uns tempos pra cá tinha o peixe, o peixe que não tem olhos. Quando estava em casa limando-a ou cozinhando ele conversava com o peixe “Lembra daquele conhecido meu que trabalha na loja de ideias inovadoras, aquele que ganhou uma promoção no mês passado? Eu encontrei com ele hoje e ele me disse que o chefe está gostando muito do trabalho dele, mas tenho certeza que ele só subiu de cargo porque puxa o saco do gerente local se não fosse por isso ele não teria mais chances que eu; às vezes eu penso que todo mundo tem mais chances que eu”. O que Iugo se esquecia de contar pro peixe (E acredite amigo leitor, não era de propósito, era por cegueira) é que o dito colega empenhara-se ao máximo na função que ocupara. Depois de um tempo continuava “Lembra que eu falei do meu gerente lá do emprego? É um otário! Pensa que sabe de tudo, chega pra dizer o que tem que ser feito assim e assado... Às vezes eu acho que todos têm mais espaço pra falar que eu.”. O que Iugo se esquecia de dizer para o peixe é que esse é o papel do gerente: Dar ordens (Mas, isso eu acho que o peixe já sabia). E mesmo assim havia espaço de sobra pra os diálogos, espaços que Iugo não ocupava por achar aquilo pequeno pra ele: “Eu é que não compartilho minhas opiniões com esses ‘menores’”, dizia de si para si durante as reuniões da equipe. Depois voltava a seguir o diálogo com o peixe. No final do dia, tendo concluído tudo, parava em frente ao aquário e falava baixinho, pois tinha medo que o peixe escutasse “São tão cegos quanto você e a única diferença é que em vez de órbitas vazias eles têm cabeças vazias”. Às vezes me pergunto se o peixe não ouvia aquilo e pensava: você não é tão diferente dos outros.

Diário pessoal – Reflexão do dia:
A visão: pode ser biologia (Usando literalmente os olhos) ou simbólica (A ideia que construímos de tudo que vemos enquanto estamos vendo). A maioria das pessoas não tem visão. Sou assim? Provavelmente não, se fosse eu saberia. Será? Não sou. Tenho certeza.
Iugo Um dia assim /do mês de sempre / do ano que já conhecemos.
(Continua...)

Castanha 03 / 05 / 2011