A desgraça, amigo leitor, é, como muitas coisas nessa vida, uma balança; e assim sendo pensemos então que nesta balança o lado que pesa mais, traz mais “lucros” para quem do seu lado está e no lado oposto o oposto acontece. Se a desgraça é uma balança com suas engrenagens, os pesos colocados nos pratos desta são as vantagens e desvantagens que as partes recebem. Nesta engrenagem é comum as partes prejudicadas estarem assim por causa dos fatos inesperados da vida; já as partes beneficiadas muitas vezes fazem por onde serem beneficiadas.
Depois do almoço ficamos sentados no bar relaxando um pouco e olhando a vida nossa de cada dia. Edinaldo apontou para o outro lado da rua e disse “Aquele cara ali, barrigudo, careca, velho e sem camisa, parece um vagabundo, mas ele é matemático, astrônomo e descobriu um cometa; antes ele era professor universitário também, é um cara bem inteligente, mas teve um derrame e ficou louco, perdeu o juízo. Hoje ele mora com a mãe, uma senhora bem velhinha. E tem um irmão canalha que está tentando internar ele num hospício pra se apoderar de uma casa boa que ele tem e uma boa pensão que ele recebe”.
Castanha 23/11/2011
Para perceber tudo que há, há sensações. Para os sabores, cheiros, barulhos, medos, alegrias, gozos e tristezas há sensações. A sensação de que nos falta algo, nos faz planejar para construir o que falta. E se sentimos que nos falta alguma coisa abstrata que não construímos com paus e pedras, como é o caso do amor ou da paz, então buscamos formas de sentir que amamos ou estamos em paz. Essas sensações tapam as brechas que são abertas em nossa alma pelas anteriores sensações de falta. E é assim para todos os humanos quando se relacionam com tudo que existe. Sem as sensações não se é humano, não há humanos!
Ela, aquela jovem, tinha sensações como qualquer outra pessoa. Naqueles dias uma dessas sensações lhe impressionara muito. Quando se deitava com seu amado ela sentia um cheiro suave e agradável. Sabia com o que parecia esse odor e gostava muito. E quando o velho médium leu a mão dela ele disse “Milha filha, quando você faz amor com seu amado você sente um cheiro de bebê!”, ela puxou a mão rapidamente sentindo, num primeiro momento, medo de estar grávida. Depois acalmando as idéias viu que não era aquilo. Sentiu então incompreensão por não saber como aquele senhor falava de um odor que só ela sentia e que era só dela. O velho médium, por sua vez, não sabe como sabe, ele só sente.
Castanha 22/01/2011
Naquele dia o coletivo mudou de rota no meio do percurso. Os passageiros, que sentados e em pé lotavam o ônibus, protestaram “Motorista filho da puta! Não é por aí não!”. O protesto popular é bem direto. A cobradora do coletivo defendeu seu colega de rotina “Ele ta mudando de caminho porque tem um congestionamento do outro lado e se a gente for por ali vai demorar mais pra chegar no terminal”. Os passageiros se acalmaram. Pouco depois alguém escutou a cobradora chamar o motorista de Bil e gritou lá de trás em tom de brincadeira “Bil! Acelera aí que eu quero ir pra casa tomar sopa!”. A gargalhada foi geral. Mais a frente Bil parou o ônibus para dar passagem a um motoqueiro que guiava, com muita dificuldade, uma moto pequena e fraca passando pelo lado direito do ônibus. Os passageiros começaram a grita “Bil, bota por cima desse cara que isso não é moto de gente não!”, houve nova gargalhada e gritaram de dentro do coletivo para o motoqueiro “Tira essa moto daí, Bil quer passar!” e mais gargalhadas. Depois disso, um pouco mais a frente, Bil conduzia o coletivo por uma rua estreita e deu passagem para um pequeno carro, mas em seguida outros tantos carros foram passando sem dar passagem para Bil, formou-se nova algazarra dentro do ônibus “Bota por cima Bil! O teu é maior que o deles!”. Mais piadas e mais gargalhadas até que Bil conseguiu uma brecha e saiu de onde estava passando na frente dos carros menores; neste momento houve um enorme apoio moral e gritado “Aêêê! Bil! Bil! Bil!” e mais “É isso aí Bil!” “Grande Bil!”. Quando o coletivo finalmente chegou ao terminal os passageiros desceram gritando “Boa noite Bil” e “Obrigado Bil”. Bil levantou de sua cadeira sem responder aos cumprimentos, mas com um sorriso sossegado e divertido no rosto. Bil é um grande sujeito!
Castanha 18/01//2011
Quando as chuvas destruíram cidades no interior de Pernambuco e Alagoas, de todas as regiões do país chegaram doações para ajudar as vítimas das enchentes. Entre a solidariedade e a lama, militares do corpo de bombeiros foram flagrados roubando os donativos.
Tempos depois as chuvas destruíram, também, cidades no Rio de Janeiro. Em meio ao caos alguns alimentos diminuíram em quantidade nos mercados da região afetada e comerciantes locais aproveitaram a situação para aumentar os preços destes produtos em até quatrocentos por cento. Queriam aproveitar o “momento” para aumentar os ganhos.
Mas nem só de catástrofes naturais vivem as relações de ”perdas e ganhos”. Certa vez conheci um sujeito, um tanto egoísta, que viu sua esposa ser maltratada muito tempo por uma doença até que a morte veio encerrar o trabalho que o sofrimento havia iniciado. Este sujeito acompanhou a esposa durante o internamento hospitalar nos últimos dias de vida dela. Não me falou de como era a falecida, se era boa ou ruim, bonita ou feia, alegre ou triste, mas me falou com muito gosto e brilho nos olhos de como eram gostosas e grátis as refeições que ele fazia no restaurante do hospital.
A desgraça alheia também gera lucros extras e pequenos momentos de bem estar.
Castanha 17/01/2011
Depois de uma tarde regada por vadiagem, cerveja e piadas debochadas, comentei: “Estou ficando velho” e Ricardo disse “Estou rejuvenescendo”; soltamos uma gargalhada.
Algo velho é algo que existe há muito tempo. Algo novo é algo que existe há pouco tempo.
Algo velho pode ser uma coisa que não serve mais por estar desgastada pelo tempo. Algo jovem pode ser o contrario, ou não. Algo velho pode ser uma coisa indispensável por ter experiência e utilidade acumuladas. Algo jovem pode ser o contrário, ou não. Sendo assim, uma pessoa velha pode ser importante dependendo do contexto e num contexto diferente uma pessoa jovem é que pode ser importante.
Velhos pensamentos são importantes para a manutenção do mundo. Jovens pensamentos são importantes para reanimar a manutenção do mundo.
Essas considerações servem pra pensar na relatividade de tudo que existe inclusive o tempo, que é o que nos dá a idéia de tudo que é velho e tudo que é novo. Viver só um ano é pouco para quem já vive a três ou quatro décadas. Mas uma vida que dura um ano é longa se for comparada com a de alguém que só viveu um dia.
Sentisse velho ou jovem, estar velho ou jovem, querer ser velho ou jovem, depende da relação de cada um e de cada coisa com o tempo. O tempo é relativo. A interação com o tempo é relativa. Tudo é relativo.
Depois de uma tarde regada por vadiagem, cervejas e piadas debochadas, comentei: “Estou ficando velho” e Ricardo disse “Estou rejuvenescendo”; soltamos uma gargalhada.
Castanha 29 / 12 / 2010
Indignação! É a cólera despertada por uma afronta, ação vergonhosa, injustiça, algo que me afete, lhe afete, nos afete. A indignação fez cair reinos e governos, fez uns de baixo se revoltarem contra outros de cima, deve ter incitado muitos motins, preparado tocaias e declamado em alto e bom som milhões de pragas e palavrões. A indignação é o tempero da revolta.
Ontem a indignação sentou ao meu lado no ônibus. Tinha mais ou menos cinquenta anos, um metro e sessenta ou setenta de altura, pele marron, cabelos grisalhos, óculos e uma apostila de um assunto qualquer nas mãos. Não lhe reparei a começo. Só lhe prestei atenção quando começou a falar colérica protestando contra o motorista do õnibus que dirigia e ao mesmo tempo conversava com o cobrador. Virou pra mim e começou: “Sujeito irresponsável, dirigi o ônibus como se estivesse carregando qualquer coisa. Ele sabe que não pode conversar quando dirigi, mas mesmo assim fica batendo papo”. Nisso o motorista fazia curvas em alta velocidade e eu que morro de medo de acidentes dividia minha atenção entre os protestos em voz baixa da indignação e os movimentos do ônibus. A indignação não aliviava “Vou anotar o número do ônibus e o telefone da ouvidoria e vou denunciar assim que chegar num orelhão”. Puxou uma caneta e começou, soletrando enquanto escrevia, “Ônibus linha tal, número tal, horário tal, telefone da ouvidoria tal, tal e tal” virou pra mim novamente e recomeçou “Essas coisas só acontecem porque nós não protestamos, a culpa é nossa também...”.
Em seguida era a minha vez de descer, levantei, puxei a campanhia de parada, pedi licença e desejeilhe boa sorte “Boa sorte pra você também” me respondeu em troca. Desci meio agitado, a indignação não é a má, mas nos deixa bem chacoalhados.
Castanha 29 / 12 / 2010
Como pode alguém cogitar a eliminação das torcidas organizadas.
Cadê o resto dos camelôs do centro da cidade
A decoração de ano novo do Recife tem luzes e bolinhas que piscam
que bonitinho !!!
Me lembrou Maimi.
Por favor anjo negro desses que vivem a sobra das autoridades legais...
A polícia... oh!!! a pilícia
sempre camuflando algo hem !!!
BONITO PRA VOCÊS
Vejam !!!
Tudo está tranquilo e calmo,
nada está fora da ordem.
O partido dos operários
está mais do que nunca no poder.
Os ideólogos.
Os facista.
A mulher da bararca com seu mau humor terrivél.
Ora bolas senhor!!!
Cumpre teu desígnio, canta pra esses homens a música perfeita.
Acordes dedilhados
O som
A luz o Palco pám-pám pám-pám Páaaammmm!
Esta noite tive um sonho ...
Pássaro Bege