Teoria da vida de Cristo segundo um Canabista

Diretamente do "livro de crônicas de girias&outras reses"


Cristo foi um homem extremamente ligado; no bom sentido... Claro!Convivia nas periferias de Roma, junto às meretrizes, bandoleiros, vagabundos, todos os tipos de infelizes. Não importando a cla
sse ou a cor. O iluminado sempre pregava no meio deles. Um homem nobre.

Cabelos grandes, barba bem cuidada, sandálias de couros, terço no pescoço e sempre pregando paz e união entre os povos. Não raro em meio a um sermão, alguns desses infelizes, ainda confuso com a vida, acendiam um fininho. O Senhor todo embaraçado, olhava para ele desaprovando e o sujeito ainda perguntava:

- Jesus?Tá limpeza fumar esse fininho?...

E Jesus para não parecer superior a ele, responde:

- É nenhuma, sujerinha!...Fuma na paz!

Quando Jesus terminou o sermão, abriu um garrafão de vinho, serviu entre os fiéis. Foi servido com peixes fritos, muita música, danças e energias positivas.

Segundo o canabista, foi naquele dia que Jesus salvou uma meretriz do apedrejamento e deu uma lição na humanidade.

Ser magnífico!JESUS CRISTO nosso senhor.


Por: Amâncio Norato

Causos 12: O orgulho ferido

O orgulho: sentimento perigoso que nos alimenta e envenena, nos da dignidade e pode nos deixar soberbo. O orgulho está entre nós desde o começo dos tempos e provavelmente nos acompanhará pela eternidade dos séculos. Caim matou Abel; foi por ciúme; a ira deve ter apimentado o temperamento do assassino, as vésperas deste se tornar assassino. Ciúme e ira foram gerados pelo orgulho ferido quando o criador aceitou as oferendas de Abel, mas não a de seu irmão. Foi o primeiro assassinato da história; é o que dizem. Depois disso, de uma forma ou de outra, muita gente morreu de orgulho.
Orgulhoso de si, trabalhador, ético e responsável, Porfírio Ferreira gozava de boa saúde e respeito entre as pessoas. Não era homem de mau humor, mas não era só de piadas. Um dia um vizinho o acusou de ter roubado uma galinha, lhe esculhambou em público com as piores palavras que uma boca pode pronunciar e que um bom par de ouvidos pode escutar. Os vizinhos não acreditaram no acusador, que tinha fama de encrenqueiro; em nenhum momento foi colocada em dúvida à honra de Porfírio Ferreira. Mesmo assim o acusado saiu de casa e vagou pelo mundo por quinze dias, quando voltou estava doente, caiu na cama e morreu.
“Papai saiu de casa dizendo que ia pro sul” disse a filha de Porfírio Ferreira “não sei que sul era esse, só sei que ele voltou depois de uns quinze dias e voltou de noite pra não ser visto pelos vizinhos; se trancou no quarto e morreu de desgosto”.

Castanha 13 / 09 / 2010

Evitei não Ludibriar as sensações

Para Kleiber

Tive que evitar passeios, amenidades, levezas, reflexões, coisas menores... em prol de um grande projeto, um grande desafio, um plano, uma meta...
Desci correndo as escadas do prédio, procurei pra ver se tinha alguém olhando.
Que coisa maravilhosa a ausência humana naquele local. Alegrei-me!
Cobri com os papeis mais macios que já tive contato aquele lugar... Sagrado!
E num instante de prazer e euforia defequei e não ludibriando as sensações gritei:
Louvado seja o senhor Jesus Cristo!
E da cabine ao lado escutei: Para sempre seja louvado!
Amém!



Pássaro Bege!

Causos 11: O Causo que não veio

Causo traidor! Me abandonaste... Virei e revirei livros e memórias, alegrias e frustrações, histórias contadas e ouvidas, e nada; nem uma palavra, nada, absolutamente nada! Eu queria, tentei, e como tentei, te apresentar para meus amigos, que além de amigos são leitores, uns poucos é verdade, dar pra contar nos dedos da mão, mas não deixam de ser amigos... E leitores. E tu, o que é que fez? Não veio! Podia ser qualquer um, bem sabes que não sou exigente, nem sou de fricotes.
Podias ser o Causo da cobradora de ônibus que dormia no expediente e que quase deixava os passageiros passarem sem pagar, não por relaxamento, mas é que o cansaço era grande.
Podias ser o Causo que trata do casamento de Maria e José, onde, todo dia ele leva um esporro dela por entrar em casa com as sandálias sujas.
Podias ser o Causo do Sr. Hélio, senhor de tantas e tantas décadas de vida, que fuma duas carteiras de cigarro por dia e que era vivo e forte igual um menino até que semanas atrás teve um derrame; ficou fraco e encolheu do dia pra noite.
Podias ser tantos e tantos Causos e Coisas de uma forma que só a literatura nos permite ser. Precisavas fazer o que? Bastava vim pra mim e me deixar te colocar no papel; ou na tela. Mas preferistes não vir. Preferistes não aparecer e ser nada. Nem no esquecimento iras cair, pois, para ser esquecido tens que ao menos ter existido e tu te negaste a isto quando não te apresentasse a mim. Quer saber Causo? Não me importo contigo, não choro nem mal digo, não tenho nem uma gota de sentimento, seja pro mal seja pro bem. Se não vem pra mim então vá pra onde quiser, vá pro demônio que te carregue... Não! Melhor ainda, vá pra puta que lhe pariu!

Castanha 07 / 09 / 2010

Saudade que eu sinto.





Sonho com reencontros.
Quero sempre reencontrar alguém.
Como se esse alguém fosse me dar um alento.
Mostrar onde ficou um pedaço de mim, que deixei de lembrança.
Como se reencontrar alguém me mostrasse quem eu sou, na construção de minha partitura afetiva.
Sinto meu estômago borboletear, com uma saudade danada.
Não é saudade de uma pessoa só.
É saudade de um mundo que talvez só exista na minha cabeça.
Com pessoas que trouxeram magia e poesia.
Trazem consigo uma brisa fria, uma fumaça de cheiro bom e o calor de um abraço macio.
Que saudade eu sinto.



Por Pagú.

Vejam bem! Um jovem, um jovem como eu!

Pus-me mais uma vez a chorar feito criança
Feito um poeta em catarse estética, num turbilhão de angustia, medo e solicitude.

Foi essa noite em meu quarto, ouvindo o relato de uma crise como tantas outras mil do dia-a-dia, mas essa me tocou ferozmente, era uma crise mental.

Assustou-me de novo uma palavra que me perturba desde infância, a “loucura”, parte integrante, mas indesejável dessa sociedade sã de idéias e convicções.

Um homem e seus pensamentos desconexos, surtou em seu ambiente de trabalho, dentre as grades hipócritas do sistema educacional brasileiro. (que grande novidade!)

Refleti cada detalhe da história que me era narrada, proferida por uma interlocutora também emocionada com o fato.

Foi estranho dizia ela! De repente esse rapaz, um homem,
Jovem como nós! - Seus olhos diziam isso e muito mais!-


Pensava ele ser e estar sendo perseguido, por autoridades politicas. O homem entre a loucura e a lucidez fazia conexões entre fatos ocorridos quarenta anos atrás com fatos da contemporaneidade.

Era ensurdecedor ouvir aquilo tudo! Questionei-me sobre o que é memória o que é esquecimento, inadequação, indagações de outro louco confuso e com medo.

Coloquei-me por várias vezes na pele daquele homem, justamente eu, que há tempos venho duvidando de minha sanidade mental. Eu que hesitei por várias procurar os médicos psiquiatras, como medo da confirmação do diagnostico.

Via na minha frente a historia de um homem
Vejam bem! Um jovem, um jovem como eu!
Perdendo o controle das ações em seu ambiente de trabalho.

Chorei de compaixão e por medo! Sentir tudo isso, é sentir demais é pouco apropriado! É preciso demonstrar força, e afastar de uma vez por toda essa loucura enfreuqecedora e víl, afinal de contas, controlar os ventos e criar personagens com vida própria, além de mim, não tem nada haver com esquizofrenia, vocês não acham?

Sendo assim convoco todos os leitores desse Blog a se manterem sãos, nunca cair no veú obtuso da insanidade, pagar os seus impostos, cumprir suas obrigações eleitorais e com o trabalho e acima de tudo, não criar histórias, e muito menos personagens fictícios para levar ao cotidiano, isso assusta a mediocridade dos normais, burla as normas de convivência e conveniência, dá dor de cabeça, exclusão e sentimento de fracasso, coisas cada vez menos polidas e desejadas nos tempos atuais.

É preciso sair dos quinhões da periferia, seja a do pensamento, das idéias ou da vida prática (para os que insistem em separar essas dimensões), é preciso sanidades, sanidades ouviram!!! Sanidades!!!

É loucura querer emancipar o gueto por dentro, temos que sair de lá, sair de lá, deixá-los ao deus-dará. Deus, o que tudo sabe e vê!

Esqueçam o meu rosto e minhas ideias que às vezes se transmutam em algo tosco e estranho, e parem de gritar que eu SOU LOUCO, EU NÃO SOU LOUCO OUVIRAM!!! EU NÃO SOU LOUCO!

Mas antes de terminar gostaria de dizer que estou sendo perseguido e se desaparecer por mais de dois dias, procurem o IML, os jornais, ando sofrendo perseguições políticas e editorias de outros blogs, recebendo ameaças diariamente na caixa de e-mail.

Mas, por favor, não me procurem no hospício, seria triste e insuportável pra mim, se lá, justamente lá, vocês me achassem.

Passaro Bege!

Causos 10: Seu Chico

Domingão. Dez da noite. Paro na porta de Seu Chico e peço uma coca cola: “Seu Chico, traga uma coca cola”. Ele não escutou, estava atendendo uns meninos que estavam comprando refrigerante e bolachas. Espero um pouco e peço de novo: “Seu Chico, traga uma coca cola”. Desta vez ele ouviu, me olhou, mostrou um sorriso simpático e gesticulou me pedindo pra esperar; não me peça pra descrever a gesticulação, amigo leitor, não era obsceno nem nada disso, mas era incompreensível até pra os olhos. Enquanto esperava, observei o estabelecimento comercial de Seu Chico; funciona na casa dele, num dos quartos da casa, e a sala da residência serve de escritório, sala de visitas e espaço de descanso do velho Chico. Peço mais uma vez: “Seu Chico, traga uma coca cola”. Desta vez ele se aproxima olha pra mim e pergunta: “Quer o que meu jovem?”. Não me deixou repetir o pedido, saiu correndo pra novamente atender um dos meninos. Seu Chico não é má pessoa, só é um pouco displicente, e só consegue atender um cliente por vez; o atendimento é por ordem de chegada. Seu Chico volta alguns minutos depois. Finalmente o grupo estava de saída, era minha vez. Olha pra mim com um sorriso simpático que já deve ter mais de sessenta anos. Uma pessoa mal humorada enxergaria algum cinismo naquele sorriso, afinal eu já estava ali há uns tantos e não sei quantos tantos minutos, não tinha motivo pra riso. Mas Seu Chico é gente boa. Aproximou-se: “Quer o que meu filho?” e eu “Uma coca cola Seu Chico” e ele “Coca cola...” e eu “É, seu Chico” e ele “Coca cola não tem” e eu “E tem o que Seu Chico” e ele “Tem guaraná e tem fanta e tem... Ah! Coca Cola tem!” e eu “Tem coca cola?” e ele “Tem... Mas não ta gelada; tava natural quando eu botei na freezer, não sei...” e eu “E tem o que gelado Seu Chico?” e ele “Tem guaraná e tem fanta e...” interrompi “Traga um guaraná” e ele “guaraná?” e eu “É, guaraná” e ele “Ta bom, guaraná, vou trazer guaraná”. Deu passos lentos e desengonçados, parecia perdido mesmo sabendo onde tinha que ir. Voltou uns bons e longos minutos depois com uma lata de coca cola gelada na mão e um sorriso de surpresa no rosto e disse “A Coca cola já gelou, foi rápido não foi?”.

Castanha 26 / 08 / 2010