Não se fala em outra coisa. Em ano de Copa do Mundo, é sempre assim no país do futebol. A Canarinha, com seu futebol burocrático, apolíneo, e broxante, não está empolgando esse que vos tecla. Continuo torcendo, como diria Maiakoviski, firme, forte e verdadeiramente. Agora, cá entre nós, e que eles não nos ouçam, mas dá gosto de ver a seleção dos hermanos, comandada por Maradona e seus pupilos. Um futebol bonito, com classe, com categoria. No time deles, o ataque se destaca, com Messi e Tevez; no nosso, o ataque é apático e os “craques” são zagueiros, quem diria!? Final dos tempos! Tomara que a era Dunga não deixe raízes, que seja conjuntural, efêmera e contingente...Amém!

Mas deixemos o futebol de lado, e nos concentremos na festa, nos amigos reunidos, no tira-gosto, na cervejinha gelada e em outros aditivos. Não tem perna-de-pau que a estrague. A festa vale à pena! O charme dessa Copa são as moças soprando a vuvuzela, a pátria de shortinho verde e amarelo, com detalhes azuis. Não tem jabulani que resista, meu amigo! Todos juntos vamos, pra frente, Brasil! O gol, a comemoração, o abraço apertado, a paixão nacional, a paixão de quatro em quatro anos. Que o amor esteja presente nessa Copa. Pode fazer gol; mas, se vacilar, se derrubar na área, é pênalti. Aí vai ter que batizar o menino, nomeando-o de João Messi ou Zé Maradona. Se for menina, aposto que vamos ter uma legião de moças chamadas, carinhosamente, de Jabulani Maria da Silva, ou ainda, Maria Vuvuzela Pinto.

O juiz apitou e, vamos parando por aqui, porque já me danei a falar besteira. E que venha o Hexa!

A Culpa Cristã. Parte 46 (continuação)

Voltar ao Post de 14 de outubro de 2008. A culpa cristã (parte 47)


Com quais talheres se come o absurdo?
O abandono dos transtornos (re) buscados.
E num instante aquilo que era presença, faz-se na angustia, na saudade, esmiuçado.

Quem sabe então a engrenagem desse tempo, se retroceda num minuto necessário.
Para a blasfêmia se transfigurar em credo.
E o dom da fé se transformar em tom de medo!

Se escrevinhadores pudessem fazer versos.
Um lança chamas que queimasse esses retratos
Fariam bombas que explodissem as consciências

E serviriam num banquete anunciado.
Champanhe francês com culpa para tirar gosto.

Pássaro bege

DIÁLOGO: A opinião da chamada “nova classe média”.

Dedicado a Victor Rodrigues e Mercês de Fátima



QUATRO ANOS ATRÁS... (2006)

- E aí escolhesse já?

- Sei lá, qual eu vou escolher dessa vez! Na verdade esse ano eu não quero nada disso!

- Como assim porra! Nem o menos pior!? Escolhe um, pelo menos.

- Vixe! Estás com essas conversas agora é, de menos pior, um caralho! Sigo essa lógica não!

QUATRO ANOS DEPOIS... (2010)

- Lembra da minha escolha de quatro anos atrás filho da puta! Vê aí no que deu, não valeu o custo beneficio de jeito nenhum. Disse a você que não queria, mas como sempre, fui na sua onda e me estrepei.

A conta de energia subiu pra cacete, e ainda por cima, essa porra quebrou de novo! De novo!!!

- Sim, mas lembra que falei pra escolher o “menos pior” o problema foi a sua escolha, numa época dessas é sempre bom não se deixar levar pela beleza superficial.

É preciso olhar minuciosamente e com dedicação e responsabilidade o conteúdo, acima de tudo!

E não vem mais uma vez com esse papo de que não vai escolher nenhum, nunca se esqueça do quanto nós caminhamos pra chegar a ter esse poder de decisão companheiro! Foram anos e anos de luta. Lembra? Nossos pais, por exemplo, nunca tiveram esse privilégio.

- É Verdade

- Sim...! E não podemos esquecer que esse ano o cardápio está bem mais diversificado.

- Tu achas?

- Acho. Tem pra todos os gostos. Aquelas, por exemplos, têm uma imagem bem definida, dizem logo pra que vieram.

- Hum! Sei não visse. Mas em compensação, elas são muitos diferentes! Uma tem um ar bem mais romântico enquanto a outra é daquelas "ilustre desconhecida". Naquele esquema, muda a razão social mas é fruto do fabricante de renome.

- É verdade, e tem ainda aqueles de sempre né? As Figurinhas carimbadas. Muda um pouco o design mas no fundo são as mesmas MERCADORIAS.

- Ham, ham, Mas já sei qual eu quero dessa vez. Espero não me arrepender de novo!
UMA SEMANA DEPOIS...

- Olha acho que esse menino vai detonar visse!

- Qual pô?

- Neimar, velho! Dunga finalmente reconheceu o sue valor, FINALMENTE.

- Cala a boca, Cala a boca!!! Olha o hino! Olha o hino! Vai começar
[...]

Gooooooooooooollllllllll!!! Uhull! Hexa Campeão!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

- Neimar aos 40 do segundo tempo, e em cima da argentina que beleza hem!!!

- Que alegria irmão, Uhull! Somos hexa que luxo!

- Sim... Mas o maior luxo foi acompanhar essa saga com essa sua TV de plasma de 42 polegadas!

- É dessa vez acertei na escolha né! A conta de energia aumentou um pouco, mas valeu a pena, não está alterando muito meu orçamento. E outra coisa, brasileiro mesmo que se preze, tem que comprar uma TV nova e de qualidade a cada quatro anos num é?

- Sim. Claro. Nós merecemos esse conforto. Afinal de contas, lembra o quanto nós caminhamos pra chegar a ter esse poder de decisão companheiro! Foram anos e anos de luta! Nossos pais, por exemplo, nunca tiveram esse privilégio.

- É... Mas deixemos essa conversa e vamos bebemorar!

- Viva Neimar!

- Viva a TV novinha! Viva o Brasil!!!


Pássaro bege

O LADRÃO DE PENSAMENTOS

Dedicado a Señor Limpezinha Marques e Joice Poliana e sua bexiga selvagem.


Adoro roubar e não me envergonho nem um pouco. Tudo o que tem valor seja ele simbólico ou não, eu pego pra mim, passou um pensamento dos outros vagando meio sem jeito pela rua, eu vou lá e cato! Vinha tendo alguns problemas com a polícia do pensamento por conta dessa vil prática, o tenente coronel DISCRIÇÃO usou a força da lei para punir esse meu mau habito.

- O réu fala alto demais os pensamentos que devia calar, e mais, está no artigo ALFA 302, que é indubitavelmente proibido a apropriação de pensamentos alheios mesmo que sejam improdutivos.

Num tempo desses achei de meter-me em política achando que assim podia reivindicar meus direitos, vesti todos os da minha espécie com lisérgicas lingeries, comprei camisas vermelhas, impus uma bandeira e sai pelas ruas de Recife gritando: ABAIXO A REPRESSÃO ME DEIXE SER LADRÃO, EU EU EU!!! SEU PENSAMENTO É MEU, PAPAI COMPROU PRA EU.

Vocês devem imaginar o desfecho do fato. Fui parar no xilindró e como não tinha nível superior fiquei na ala dos pensamentos selvagens, encontrei por lá uma porção de amigos entre eles Rodolfo o biografista, Sergio nota de roda pé e Adelaide minha anã paraguaia, mãe da clássica teoria do EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO!

Hoje aqui preso no “país das calças beges”, continuo roubando pensamentos, mas, só me resta agora roubar as visitas e os carcereiros que vivem sendo trocados e exonerados do cargo reclamando que já não tem o que pensar.

Vinte e seis anos passam rápido, hoje é meu ultimo dia de pena, a psicóloga disse em seu relatório, que estou completamente apto ao convívio social.

Já não sinto mais aquela ânsia de antes, os pensamentos alheios me perecem cada vez mais desinteressantes, sem sal faltando algo, sem gosto sem utopias!

Pássaro Bege. 22/04/2010

O kula e o cigarro

Dedico esse texto àquelxs que duvidam do poder kulístico do cigarro.


O kula, como nos ensinou Dora Ferraz [salve salve Dora Ferraz], é um sistema de trocas simbólicas que requer o 'dar, receber e retribuir'. Sempre que penso no kula ao andar pelos corredores cfchianos, penso no cigarro. Quantos cigarros são cedidos naqueles corredores, na manutenção da brodagem? Quantos cigarros são cedidos a cada final de semana para pessoas estranhas? Quem nunca se saiu de uma possível 'butada' com o kula cigarriano? Quantas conversas promissoras com pessoas desconhecidas se iniciam com a frase 'tem um cigarro aí?' O cigarro espanta a solidão, os constrangimentos, a vontade de matar alguém. Espanta também a ansiedade, aquela lágrima que tenta fugir de nosso controle. Como já disse sabiamente o poeta fumante Mário Quintana em 'Arte de Fumar':

Desconfia dos que não fumam:
esses não têm vida interior, não tem sentimentos.
O cigarro é uma maneira sutil, e disfarçada de suspirar
.


Quem discordaria de um poeta como ele?


Por Pagú

Os Bípedes e o Rato!

Didicado à um jovem estudante pobre e preto, que usava bata branca!



Tal qual um problema, eles chutavam um rato no centro da cidade. Todos eles uniformizados, bípedes do caos, calor e muita agonia no juízo.

Não era pra menos são o que são... Homens. E eu por sobre um de seus cavalos, montado meio inquieto por falta de costume via com nitidez a cara do rato, e às vezes me confundia com o rato, mesmo sabendo estar no momento por sobre o asfalto deslizando com um cavaleiro, num cavalo que não era meu.

Costuma-se cobrar dois reais por isso!

Você salta do ônibus e por sobre os olhos eles estão lá 20, 30, 40, não sei, são muitos.

Mas aquele grupo de cavaleiros até então apeado chutava o rato, e o rato rolava e ia pro meio da pista, enquanto isso, as rodas grandes e as pequenas nem sequer percebiam seu desespero, os transeuntes sim! Esses viam, e riam gargalhadas amareladas de dentes blindados pelos monóxidos da indiferença.

Também não queriam vocês que eles fizessem questão? Vou repetir pra ficar gravado no juízo de vocês, em caixa alta pra não ter erro, “ELES ERAM HOMENS ÀQUELE ERA RATO, POR QUE IRIAM SE IMPORTAR”.

Passou-se o momento, as reflexões inúteis, e o fato se deu. O rato maroto metido a atleta ia e voltava, mas os homens queriam de fato matá-lo e quando os homens desejam tal coisa, eles não se fazem de rogado executam o fato.

POR: Pássaro Bege

a essência humana é uma droga. ou várias...

Tenho pensado repetidamente numa coisa: os seres humanos precisam de drogas pra sobreviver. Seja essa droga qual for, precisamos dela porquê a seco ninguém aguenta. Pode ser televisão, religião, música, internet [nos nossos tempos pós modernos, é a droga mais usada], atividade física, torcer por alguma coisa, além das substâncias conhecidas como drogas, lícitas e ilícitas. Algumas combinações são muito comuns, mas não pretendo esmiuçar isso aqui. Penso nisso quando me lembro de algo que meu analista me disse, foi algo do tipo 'drogas trazem uma espécie de alegria'. Talvez seja essa a grande sacada das drogas, uma alegria fugaz, a possibilidade de não ter que pensar, só sentir. Poder ficar imóvel em frente a um televisor é uma espécie de transe, apenas recebendo tudo aquilo, entorpecendo de imagens e sons que grudam no juízo.
Como diria alguém, viver a seco ninguém aguenta. Tomo meu último gole de coca-cola, acendo o meu hollywood e entro num site de obviedades pra distrair.



Por Pagú