Por que vocês acham que esse blog se chama foi hoje? Nesses tempos velozes, tudo foi e nada é, agora mesmo tinha acabado digitar esse texto no Word fechei sem querer, tive que o reescrever. Onde estão pinceis e as folhas de meu caderno brochura. Esqueçam! E esqueçam também, esse papo de que tudo é veloz que tudo mudou, está tudo mudando, ora bolas! Quando foi que esteve parado.
Não existem mais vanguardas, tudo tem um gostinho de bytes lisérgicos ultrapassados. Meus caros leitores, em terra de twitter, quem recebe carta é rei, aí pode até montar uma vernissage decorando as paredes com vinis em um casarão antigo de recife, e sair por aí cagando bolinho e mijando guaraná, arrotando de artista com um diploma debaixo do braço, olhando o exótico caminhar das pessoas na conde da boa vista e enxergando beleza no desdentado, periferizando as tendências, em álbuns fotoshopados com lindos pobres maltratados, com suas carteiras de cigarro por entre os biquínis.
Dia desses fui ver uma peça, em que uma velha indagava a plenos pulmões; você tem a voz dissonante? Você tem a voz dissonante? E continuava... no meus tempos de juventude, na ditadura de 196... e tra-lá tralá-lá, cobrando da classe média brasileira um posicionamento, e eu! Que nem tenho classe? Chamando a senhora de velha, mais puta que pariu! Agora pronto!
Uma velha se achando engajada, citando o que há de mais superficial dos intérpretes canonizados do Brasil, satisfazendo o gosto especulativo da cena pernambucana, tipo assim, continental! Minha filha! Vá pra casa postar as fotos de hoje no Orkut, criar uma comunidade e marcar um encontro virtual que depois agente conversa.
No fim ela foi aplaudida de pé. Pois como vocês sabem, aqui, todo mundo se odeia, nada do que é produzido aqui dentro presta, é sempre de valor menor e apesar de freqüentarmos sempre os mesmo lugares, basta chegar alguém de fora falando qualquer besteira, que são vistos litros e litros de gozo escorrendo pelas pernas torneadas de tanto subir ladeira e pegar busão, dos garotos e garotas pop cult’s de heelcife.
Complexo de província? Num sei, sei lá! Tudo é tão confuso, num é assim que se argumenta hoje em dia antes de se posicionar sobre algo? Tá tudo pós - pós Queiroz!
Às vezes me pergunto será que eu sou o único Frances que não gosta dessa mostarda? Do que não gosto mesmo de jeito nenhum é dessa macaxeira com charque Armorial, e aí? C'est la vie!
Pássaro Bege.
Oh noite braba de boa aquele sono que não chega muita bobagem na TV, minha esposa não para de roncar e emitir alguns gemidos, e suspeito que seja um sonho erótico num sei!
Noite adentro minhas bolas inchadas de tédio e expectativa. Enfim necessitava de um pequeno ensejo, para voltar a postar nesse Blog, o ano está pela borda, o Sport caiu pra segunda divisão.
Mas chega de lamentação por hoje
Depois continuo.

Minha querida,
Ontem falei seu nome várias vezes. Estava num bar com meus amigos, alguém colocou as músicas de Waldick Soriano pra tocar, aquelas músicas que eram nossa trilha sonora de domingo. Ah, que saudade! Lembro como se fosse hoje: nos encontrávamos na Praça do Derby, nos beijávamos, eu segurava tua mão e íamos caminhando sem pressa pela Conde da Boa Vista, sob o sol do meio dia no Recife. Você com aquele vestido de cetim, unhas pintadas e batom vermelho que contrastava com tua pele branca.
Íamos andando até a o Cais de Santa Rita. Nossos corpos suados, tua maquiagem borrada e teu sorriso. Ah, quanta saudade! Sentávamos sempre à mesma mesa, o garçom já trazia aquela cerveja bem gelada e uma carteira de Derby suave que você devorava, soltando a fumaça devagar no meu rosto. Nosso tira-gosto era sempre passarinha, bem assada como você gostava. Não existia nada melhor na vida do que ir com você aos domingos até o Cais de Santa Rita. Sinto saudade da cerveja gelada, da fumaça do teu cigarro, daquela passarinha “assadinha” como você pedia.
E depois, querida, lembra que depois de comer e beber nós namorávamos no 13 de Maio? Ah, quanta saudade! Você sempre pedia uma maçã do amor e nós ficávamos ali curtindo aquele bucolismo da Praça 13 de Maio aos domingos. Nós éramos tão felizes, querida. Abraçadinhos atrás de uma árvore. Entre um beijo e outro, você espremia meus cravos do rosto. Doía, mas era gostoso ver seu esforço para cuidar de mim e, exibir, no final, os restos do cravo na tua unha, quase como um troféu. Teu sorriso, novos beijos. Mas o melhor momento ainda estava pra chegar: passávamos a noite nos amando naquele motel da Rua da União. Ah que saudade!
Para Kleiber

É tempo suficiente.
Mas é tempo, e há tempos demais, não dá pra ser assim quando agente vê que passou de lá, do ponto, e a contra gosto, possuímos o álibi perfeito.
Disfarçando o inevitável estampado no olhar cheio de desespero e vontade.
Vontade de voar!
Fazer valer a marmita diária e o corpo enrugado, cada vez mais arqueado.
O suor faz parte do jogo de jogadores exaustos e loucos por descanso.
Queria uma trégua, por um minuto que fosse, mas por que raios me deram dez minutos.
Dez minutos é pouco tempo.
Pouco tempo demais.
O que fazer com ele? Rir.
Odiar pra sempre a maquina que imita o homem?
Não! Suar ainda é importante
Esbravejar contra o marasmo e o medo de ser livre demais
Por que aí sim caros e nobres relojoeiros...
Dez minutos transformam-se numa eternidade.
Pássaro bege 27 de agosto de 2009
Há alguns dias eu comecei a reler "A Insustentável Leveza do Ser". E passei a reparar como eu vejo o mundo quando estou envolvida com arte. O mundo ganha uma certa leveza, e soa muito mais poético. Confesso a vocês, sem titubear, que sinto inveja dos artistas. Músicos e musicistas, atores e atrizes, escritores e escritoras... Não pelo glamour. Mas pelo brilho no olho, pelo reconhecimento. E pela liberdade. A coragem de abrir mão de uma profissão mais "segura" pra viver o seu romance com a arte.
A arte é inebriante, a paixão também. Mas essa mistura é avassaladora.
Sempre que vou a algum espetáculo, fico pensando como deve ser estar ali. Como deve ser para uma atriz ser aplaudida num teatro lotado? Como uma cantora se sente ao ouvir uma platéia cantanto junto com ela? Como será escrever um obra literária? Mais um dos meus devaneios.
Por Pagú.

Até que fim Castanha, num ato de muita gentileza [já que Pássaro Bege e V.R. nunca lembram] me mandou a senha do Foi Hoje. Não sei se posso ser considerada ainda uma colaboradora, mas vou dar uma força por aqui. E sempre que der, vou escrever algo pra postar aqui também. Por ora, é isso. Tô destruída de cansaço. A vida não anda nem um pouco fácil.
Por Pagú.
Estava por acaso dias atrás cruzando a esquina da Artur Xavier com a principal e com quem dou de cara? O aumento do preço de cigarros. Estava estampado na primeira página e pendurado na banca de jornal. É de conhecimento público que recentemente o governo, por causa da crise mundial, reduziu os impostos de alguns setores e aumentou o de outros. Não preciso dizer que o cigarro foi escolhido para tapa as brechas da crise. Quer saber como? Transformando seus consumidores em contribuintes mais fervorosos. O aumento do preço do cigarro interfere na rotina dos fumantes de forma muito mais detalhista do que imagina o governo. O governo na verdade não se preocupa com isso e mesmo que triplicasse o preço dos cigarros continuaria tendo o apoio da maioria das pessoas, que por sua vez não são fumantes. E isso porque é mais cristão aumentar o preço do pecado em vez de outros produtos como pão e fubá. Já para o fumante é mais delicado. Primeiro são os amigos não fumantes que soltam a toda hora pilhérias do tipo “bem feito, quero ver se agora tu não para de fumar?!”. Depois são os problemas com os pedintes os “se me dão” que é “só fumo se me dão” este tipo de pessoa pode estar em todos os lugares, pode ser seu colega de bar ou o mendigo na parada de ônibus; não importa, se o sujeito aparecer lhe pedindo um cigarro você vai pensar duas vezes vai lembrar do aumento do governo e por ultimo vai negar dizendo que não tem. E o pior ainda esta por vim, são os barraqueiro que pensam que todo fumante é burro. Como? Lucrando horrores no preço do cigarro a retalho e usando a desculpa da crise mundial. Uma carteira de cigarros custa três reais e tem vinte unidades, o barraqueiro vende a unidade a quarenta centavos lucrando no final das contas oito reais em cima da carteira e quando a gente pergunta por que a unidade é tão cara ele responde cinicamente “por causa do aumento do governo”. Os mais cínicos ainda fazem cara de preocupado como se sentissem muito pela situação. Você, leitor não fumante, sabe o que essa série de coisas causa em nós fumantes? A sensação de ser mais contribuinte que os outros. Contribuinte do governo, dos pidões, e da pouca vergonha dos barraqueiros. Na verdade nunca me senti tão contribuinte como agora e só uma coisa pulsa dentro de mim mais forte que a lembrança dos impostos do cigarro: a vontade de parar de fumar.
Castanha 08 / 05 / 2009