É interessante analisar o que pensamos e como agimos quando queremos transparecer esse pensar. Se não gostamos de alguém pensamos bem claramente tudo que odiamos nesta pessoa. A mesma facilidade não há se tentarmos falar isso pra outros ou pra pessoa que odiamos, criticamos, desprezamos, ou, seja lá que o sentimos. Que dirá se tivermos que fazer algum registro sobre este “mal pensar” dos outros, como escrever, gravar ou anotar isso de qualquer forma para que terceiros possam consultar. Pense caro leitor: nosso poder de “não-falar” o que pensamos é tanto que criamos uma série regras e contextos para fazer, ou não fazer, isso. Para chamar alguém de “mau pagador” em público, dizer que essa pessoa não paga o que nos deve, e cobra-la por isso, vamos a um tribunal de pequenas causas que usa uma bela palavra para o devedor: “inadimplente” (o popular velhaco). Levamos isso a um juiz, sujeito de alta escolaridade e prestígio social e forçamos o poder público a ter gastos ao longo do processo. Ora! Queremos receber dinheiro atrasado e acabamos causando mais gastos junto ao Estado. Por que a gente não pega o cabra dá-lhe uma surra toma na marra o que ele tem e pronto? Tudo bem, eu sei que não é tão simples assim querido leitor, mas que da raiva dá! Por que se, por outro lado, eu chamar o cara de devedor em praça pública ele pode acionar este mesmo circuito contra mim alegando “danos morais”. Ta vendo?! Toda uma estrutura montada para não falarmos o que realmente pensamos.
Bem, tendo em vista o problema "pensar / transparecer o que se pensa" eu estava pensando: será que escrever o que se pensa deixando bem claro o que é pensamento e o que não é, seria chato para a pessoa que é mal falada no pensamento que se escreve?
Outro dia fui ao setor “x” da faculdade pegar informações com o coordenador do lugar e entre uma fala e outra ele se queixou da secretária do local. Fez isso por me conhecer e sentir espaço para transparecer o que pensava, já que não conseguia transparecer isso pra ela. Não vou citar nomes aqui pra não ser indelicado... Ou grosseiro?... Ou por covardia? Enfim! Penso nos nomes. Ele dizia:
- Ela já não tem saúde para o trabalho, tem a memória fraca (eu pensei: Você também).
- Ela está sempre esquecendo e errando (eu pensei: Você também).
- Ela deveria estar longe daqui, pois é uma funcionária ruim (eu pensei: É né?! Você também).
- Ela já tem... (falou isso com ar de impaciência e alterando a voz como se estivesse pensando com muita raiva: Régia é foda!)... Quase setenta anos. (pensei de forma agressiva e confusa: Porra Figuerôa! Você também).
Deixo transparecer agora três respostas, nas quais eu estava pensando, que podem ajudar a solucionar o paradigma: "o que se pensa e o se fala".
Serei direto deixando minha opinião bem clara para você querido leitor. É isso mesmo, não pense que eu tenho cautela... Ou vergonha?... Ou medo?... Ou seja lá o que diabos for! Exponho o que penso e pronto:
1°Se pensamos e não conseguimos falar então vamos escrever de forma sutil o que pensamos, diferenciando na escrita o que é "pensamento" e o que é "fala" e vamos divulgar isso para o máximo de pessoas.
2° Vamos continuar usando as leis e tribunais para falar de forma bonita o que pensamos com palavras feias. Isso nós ajudara a ser educados em casos de extrema safadeza.
3°Internalizar a vergonha na cara, parar com o “disse e me disse” e dizer a verdade é a melhor forma de falar o que pensamos, além de livrar as repartições públicas deste clima de fofoca.
Castanha 09/11/ 2007.
Dedicado à Helton e Victor, companheiros deste ano de aventuras virtuais, emocionais, sinucais, astrais e outras mais.
Por favor, me agradeça quando compro cigarro em seu estabelecimento, e quando pedir desculpas sorria, não sou dentista, mas adoro ver seus dentes Adolfo.
Luzinete pelo amor de deus, para de choramingar menina, putz!
E você André, aquele seu garoto é espetacular saudável e lindo, pense nisso, quando reclamar do dia.
Carlinhos meu filho ninguém agüenta mais suas piadas de bolso, chorar e ficar triste meu caro, também faz parte da vida.
E você e seus projetos hem? Também tenho alguns, se parar de falar um pouco e me escutar, vai perceber. Problemas? Devo duas prestações do crediário que abri na eletroshopping e Lucia chega tarde demais nas sextas.
Sim, ia me esquecendo Cosme, o que você está lendo?
Mefistófeles me mostrou algumas coisas, como a fausto.
E os folhetins de nosso o Sebastião, cada vez melhores.
Maria do Carmo conseguiu financiamento pra aquela peça que comprou os direitos. Num é legal?
Manda noticias Soraia, saudades grandes dos teus olhos cor de verso!
Finalizo lembrando você Juarez, do meu xadrez de osso, emprestado nunca foi sinônimo de doado.
Um grande abraço a todos (as),
Pássaro Bege 16/12/2008
Caminhei em direção a sua sala com passos rápidos e irritados, mas, bati suavemente a porta três vezes e só girei a maçaneta ao ouvir a permissão para entrar, a boa educação não me permitiria fazer de outra forma, o mesmo não posso dizer do sujeito que ocupava a sala. Disse meu nome, minha ocupação naquele setor da repartição e estava prestes a lhe perguntar por que ele havia me proibido de ocupar a sala no final do corredor quando fui bruscamente interrompido por aquela figura que gritava enfatizando tudo que dizia:
- Não é possível! Eu nunca vi isso em nenhum departamento de nenhuma universidade do mundo! Definitivamente este tipo de sala não se ocupa por ninguém, elas devem ficar vazias e inutilizáveis.
Esta ênfase me parece a de uma pessoa que têm muito medo de ser contestada por saber que não consegue rebater uma contra-opinião ou uma crítica. Tentei falar e fui novamente interrompido por um grito.
- Espere, estou falando!
- Como se fosse difícil perceber isto, pensei.
Reagi e disse-lhe tudo que achei que deveria ser dito, tanto para brecá-lo, quanto para explicar a situação. Mas fui diplomático é claro.
Após tudo esclarecido sai de sua sala com a sensação de conforto, pois, apesar de estar terminantemente proibido de voltar à sala no fim do corredor, eu o havia rebatido em sua incontrolável fúria de servidor público perdido na repartição, frustrado e azedo.
- Dane-se a sala, pensei, eu tinha conseguido coisa melhor, bater de frente com ele e faze-lo se desculpar por ter gritado sem necessidade.
No final do dia, recapitulando os fatos lembrei de ter sentido um cheiro desagradável ao entrar na sala do indivíduo, um odor fecal, talvez ele tivesse acabado de peidar, foi então que percebi o motivo daquela fúria. Ele estava num momento de intimidade quando bati em sua porta, e o desconcerto desta situação o deixou agressivo. Esta memória me trouxe duas dúvidas:
1° Estava ele querendo proteger o funcionamento da instituição ou a sua privacidade?
2° Havíamos brigado para garantir espaços, eu em minha sala e ele em sua superioridade hierárquica, ou, havíamos brigado por merda?
Castanha.
Gostei do sujeito no primeiro momento. Inteligente, simpático, divertido, era o carisma em pessoa.
- Nem parece que é o chefe, pensei, que bom trabalhar com um sujeito assim.
Fez um comentário muito interessante. Disse que esse negócio de trabalhar todo dia estava errado:
- Como é que nós, seres humanos, que estamos no topo da cadeia alimentar, trabalhamos todo dia? Nós temos que fazer o contrário, trabalhar dois dias e folgar cinco.
Pensei que tinha um fundo de razão. Se o gato aqui de casa, que segundo a ciência pertence a uma categoria menos desenvolvida que a nossa, pode passar a vida inteira farreando à noite fora de casa, dormindo de dia para recuperar as energias e não tendo nenhum trabalho para se alimentar a não ser incomodar seus donos com um miado impertinente, porque nós que estamos no topo, e sonhamos com a vida mansa dos gatos, não conseguimos fazer igual?
Sai da reunião muito empolgado com o novo chefe. Dias depois precisei falar com o chefe numa sexta feira de manhã. Liguei para a sede e me disseram que o chefe não trabalhava nas sextas feiras. Pensei que estava certo chefe é chefe! E logo ele um chefe tão carismático tinha direito de uma folga a mais. Passados mais alguns dias liguei para a sede numa segunda feira de manhã e me disseram que o chefe só chegava lá todos os dias a partir das dez horas. Pensei que estaria resolvendo assuntos externos. Na reunião seguinte ele falou que chegava tarde para evitar o transito e cuidar do jardim de sua casa. Tudo bem chefe é chefe! Dias depois liguei para a sede numa quarta feira a tarde e me disseram que o chefe largava do trabalho todos os dias às treze horas e trinta minutos. Achei-lo um pouco folgado.
No quarto ou quinto mês de trabalho estávamos super-atrasados em relação às necessidades do projeto por culpa do chefe e de sua filosofia do exercício superior da preguiça. Ainda por cima empurrou a responsabilidade para minha equipe.
Acabado o trabalho levei cinco meses para receber os atrasados. Minhas contas atrasaram, me irritei ao máximo e perdi credito na praça. Durante esses meses não o encontrava na cede em dia nenhum em horário nenhum e ninguém sabia dele. Tinha vontade de esganá-lo. Quando finalmente consegui encontra-lo para receber o cheque que restava ele me olhou com um sorriso animado e disse:
- Andei um tanto ocupado, entende?
Franzi o coro da testa olhei para ele e pensei: Chefe! Chefe!...
Castanha, 24/10/2008.
Uma “criatura insuportável”. Essa é a melhor definição para aquela mulher. Feia! Muito feia. Não pensem que eu concordo com a frase do ilustre poeta: “As feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental”. Não tenho raiva dela porque ela é feia eu a acho feia porque tenho raiva dela. Mal humorada! Sempre mal humorada. E mal educada também. Toda vez que preciso ir naquele maldito lugar, comprar qualquer coisa, eu volto irritado. Ela sempre está fazendo alguma coisa que poderia fazer em qualquer lugar do planeta, mas, ela deixa para fazer justamente no balcão do caixa. Vou compra sabonete e ela demora a me atender porque está fazendo as unhas; vou comprar pão e ela demora a me atender porque está no telefone falando do casamento de alguém - é isso mesmo! Ela é fofoqueira também; às vezes eu quero comprar só alguns doces para adoçar a língua e tenho que esperar enquanto ela conversa com alguma vizinha sobre as notas do filho na escola. Ah! Vá para o demônio que lhe carregue! E esta agonia já dura a mais de um ano, período em que moro aqui. Muitas vezes eu vou até o mercadinho da esquina, que é um tanto distante, só para não ser atendido por aquela “coisa”, ou mal atendido, mas nem sempre eu quero andar tanto para comprar uma bobagem e é nestes momentos que eu sei que vou ficar mal humorado. Agonia mesmo deve ser o que passa o marido dela, coitado. Acredito que na certidão de casamento deles deve estar escrito: “Senhor “x” casado com senhora “Suplício””. E de quebra, descobri outro dia que o coitado era pobre quando casou com ela, que por sua vez já tinha algumas finanças. Pobre subalterno. Eita, porcaria! Meu cigarro acabou e o mercadinho aqui da frente é o único que vende. Logo agora que eu estou com uma vontade desgraçada de fumar. O jeito é ser atendido pela “coisa”. Logo mais estarei com raiva.
Castanha.
Podemos definir cidadania como a forma de todos os cidadãos obterem seus direitos, serem respeitados e também respeitarem os direitos dos outros. Se colocarmos regras de um jogo de futebol e associarmos a elas o modo de viver dos cidadãos talvez melhorasse a situação de ambos os lados.
Assim teríamos:
As regras de conduta dentro do “jogo”: Não é permitido dar ponta pés, chutes violentos, rasteiras, saltos desnecessários, agressões de todas as formas, empurrões e cuspir, não são permitidos.
Se na prática levasse-mos tudo isto a realidade de nosso dia-a-dia como cidadão só nos restaria praticar a parti boa da situação.
Porém aparecem as torcidas organizadas que deveriam incentivar as boas práticas e tornam tudo contrário.
Dessa forma, buscar certezas de bem realizado e dever cumprido fica difícil, mas não irrivalizável.
Thiago é aluno da 5° série numa escola de Prazeres – Jaboatão.
A CULPA CRISTÃ
Parte (47)
Os pés descalços imprimem ao chão de barro.
A escultura do descaso e da cegueira.
De fronte à festa havia muitas esculturas,
de aura pura, e valor inquestionável.
Talvez nos olhos daqueles automóveis,
houvesse luz para iluminar o óbvio.
Mas a escuridão que chega com a sujeira,
não traz leveza pros olhares descuidados.
Se escrevinhadores pudessem fazer versos.
Um lança chamas que queimasse esses retratos
Fariam bombas que explodissem as consciências
E serviriam num banquete anunciado.
Champanhe francês com culpa para tirar gosto.
Por:
Pássaro bege. 14 de outubro 2008