O chefe

Gostei do sujeito no primeiro momento. Inteligente, simpático, divertido, era o carisma em pessoa.
- Nem parece que é o chefe, pensei, que bom trabalhar com um sujeito assim.
Fez um comentário muito interessante. Disse que esse negócio de trabalhar todo dia estava errado:
- Como é que nós, seres humanos, que estamos no topo da cadeia alimentar, trabalhamos todo dia? Nós temos que fazer o contrário, trabalhar dois dias e folgar cinco.
Pensei que tinha um fundo de razão. Se o gato aqui de casa, que segundo a ciência pertence a uma categoria menos desenvolvida que a nossa, pode passar a vida inteira farreando à noite fora de casa, dormindo de dia para recuperar as energias e não tendo nenhum trabalho para se alimentar a não ser incomodar seus donos com um miado impertinente, porque nós que estamos no topo, e sonhamos com a vida mansa dos gatos, não conseguimos fazer igual?
Sai da reunião muito empolgado com o novo chefe. Dias depois precisei falar com o chefe numa sexta feira de manhã. Liguei para a sede e me disseram que o chefe não trabalhava nas sextas feiras. Pensei que estava certo chefe é chefe! E logo ele um chefe tão carismático tinha direito de uma folga a mais. Passados mais alguns dias liguei para a sede numa segunda feira de manhã e me disseram que o chefe só chegava lá todos os dias a partir das dez horas. Pensei que estaria resolvendo assuntos externos. Na reunião seguinte ele falou que chegava tarde para evitar o transito e cuidar do jardim de sua casa. Tudo bem chefe é chefe! Dias depois liguei para a sede numa quarta feira a tarde e me disseram que o chefe largava do trabalho todos os dias às treze horas e trinta minutos. Achei-lo um pouco folgado.
No quarto ou quinto mês de trabalho estávamos super-atrasados em relação às necessidades do projeto por culpa do chefe e de sua filosofia do exercício superior da preguiça. Ainda por cima empurrou a responsabilidade para minha equipe.
Acabado o trabalho levei cinco meses para receber os atrasados. Minhas contas atrasaram, me irritei ao máximo e perdi credito na praça. Durante esses meses não o encontrava na cede em dia nenhum em horário nenhum e ninguém sabia dele. Tinha vontade de esganá-lo. Quando finalmente consegui encontra-lo para receber o cheque que restava ele me olhou com um sorriso animado e disse:
- Andei um tanto ocupado, entende?
Franzi o coro da testa olhei para ele e pensei: Chefe! Chefe!...

Castanha, 24/10/2008.

A mulher do mercadinho

Uma “criatura insuportável”. Essa é a melhor definição para aquela mulher. Feia! Muito feia. Não pensem que eu concordo com a frase do ilustre poeta: “As feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental”. Não tenho raiva dela porque ela é feia eu a acho feia porque tenho raiva dela. Mal humorada! Sempre mal humorada. E mal educada também. Toda vez que preciso ir naquele maldito lugar, comprar qualquer coisa, eu volto irritado. Ela sempre está fazendo alguma coisa que poderia fazer em qualquer lugar do planeta, mas, ela deixa para fazer justamente no balcão do caixa. Vou compra sabonete e ela demora a me atender porque está fazendo as unhas; vou comprar pão e ela demora a me atender porque está no telefone falando do casamento de alguém - é isso mesmo! Ela é fofoqueira também; às vezes eu quero comprar só alguns doces para adoçar a língua e tenho que esperar enquanto ela conversa com alguma vizinha sobre as notas do filho na escola. Ah! Vá para o demônio que lhe carregue! E esta agonia já dura a mais de um ano, período em que moro aqui. Muitas vezes eu vou até o mercadinho da esquina, que é um tanto distante, só para não ser atendido por aquela “coisa”, ou mal atendido, mas nem sempre eu quero andar tanto para comprar uma bobagem e é nestes momentos que eu sei que vou ficar mal humorado. Agonia mesmo deve ser o que passa o marido dela, coitado. Acredito que na certidão de casamento deles deve estar escrito: “Senhor “x” casado com senhora “Suplício””. E de quebra, descobri outro dia que o coitado era pobre quando casou com ela, que por sua vez já tinha algumas finanças. Pobre subalterno. Eita, porcaria! Meu cigarro acabou e o mercadinho aqui da frente é o único que vende. Logo agora que eu estou com uma vontade desgraçada de fumar. O jeito é ser atendido pela “coisa”. Logo mais estarei com raiva.


Castanha.

As regras do jogo do cidadão

Podemos definir cidadania como a forma de todos os cidadãos obterem seus direitos, serem respeitados e também respeitarem os direitos dos outros. Se colocarmos regras de um jogo de futebol e associarmos a elas o modo de viver dos cidadãos talvez melhorasse a situação de ambos os lados.
Assim teríamos:
As regras de conduta dentro do “jogo”: Não é permitido dar ponta pés, chutes violentos, rasteiras, saltos desnecessários, agressões de todas as formas, empurrões e cuspir, não são permitidos.
Se na prática levasse-mos tudo isto a realidade de nosso dia-a-dia como cidadão só nos restaria praticar a parti boa da situação.
Porém aparecem as torcidas organizadas que deveriam incentivar as boas práticas e tornam tudo contrário.
Dessa forma, buscar certezas de bem realizado e dever cumprido fica difícil, mas não irrivalizável.
Thiago é aluno da 5° série numa escola de Prazeres – Jaboatão.
A CULPA CRISTÃ
Parte (47)


Os pés descalços imprimem ao chão de barro.
A escultura do descaso e da cegueira.
De fronte à festa havia muitas esculturas,
de aura pura, e valor inquestionável.

Talvez nos olhos daqueles automóveis,
houvesse luz para iluminar o óbvio.
Mas a escuridão que chega com a sujeira,
não traz leveza pros olhares descuidados.

Se escrevinhadores pudessem fazer versos.
Um lança chamas que queimasse esses retratos
Fariam bombas que explodissem as consciências

E serviriam num banquete anunciado.
Champanhe francês com culpa para tirar gosto.


Por:
Pássaro bege. 14 de outubro 2008

Coisas da ciência (!?)



(Clique na foto acima antes de ler o seguinte comentário)

“Desculpa de menino amarelo é comer barro!”, foi isso que Pagú respondeu quando enviei o resultado desta “pesquisa” pra lista de e-mail do DACS. Tudo bem, pode até ser. Mas o quero compartilhar aqui são outros quinhentos: o resultado obtido por esses pesquisadores é altamente questionável. Vejamos: O sujeito fica olhando fixamente, durante 10 minutos diários, para os seios de uma mulher. Isso deve fazer um mal desgraçado pra saúde dele! Além disso, ele precisará de outros 10 minutos sozinho...sabe-se lá, ne?Imaginem a angustia que deve ser olhar todo santo dia e não poder fazer nada. Talvez Helton e Ricardo gostem, eu mesmo não queria...


O FLAUTISTA



A música realmente nos faz sentir inúmeras sensações, cheiros, gostos...

A carta:

Recife, 12 de março 1976.


Sentia-me enfastiado entre o absurdo das transpirações e a cara enrugada do jovem; O Flautista. Parecia haver algo de estranho aquele olhar, mas logo percebi que o estranho era mais que casual, olhava-o por sob meus desejos mais insanos e sobre o monitor sua partitura paquerava-me.

Encabulado, retirei-me do espaço angustiante. Mas claro que antes de fazê-lo perguntei se individuo aceitaria um cigarro.

- Nunca gostei de por essas coisas na boca.

Respondeu.

Fui tomado de assalto com a resposta achando-a um tanto acida e perspicaz. Sorri e abri as grades de ferro e logo após descer as escadas, pude notar que o flautista havia me acompanhado e pude reparar que trazia consigo sua flauta.
- Gosta de flautas?

- Já coloquei uma dessas na boca.

Ele sorriu e retrucou

- Me concede um cigarro?

E entre fumaças e notas dissonantes marcamos um encontro.

No teatro do parque, Dimitre exibia uma de suas mostras itinerantes, com seus famosos quadros psicodélicos e nesse instante enumerávamos diversos gostou em comum.
Bêbados e contentes ficamos nus num cantinho próximo ao ancoradouro.

Na segunda-feira cheguei ansioso e perguntei a secretaria do conservatório se já havia chegado o flautista. Ofegante e destemido corri pelos corredores, posto que, tinha sido informado de sua solidão na sala de música.

Abrindo a porta...

Percebi o engano da secretária. Estava o flautista acompanhado de uma jovem de cabelos cacheados e de bustos volumosos. Vi o tal rosto enrugado perdendo-se por entre as dunas do corpo daquela jovem. ...


... É isso caro leitores, foi hoje. Está carta foi achada por meu filho de 14 anos, por entre as paginas de um livro de cirurgias plásticas jogado na estante.

Sobrevivi ao trauma e juro mesmo, nunca coloquei silicone. Hoje sou pai de um casal lindo, minha esposa e eu somos muito felizes e temos uma casa de veraneio em São Francisco.

Por: Pássaro Bege

Inquietos